Archive for the ‘Gestão de Riscos’ Category

MBA Gestão de Riscos em Bancos e Fundos

domingo, julho 9th, 2017

Vem aí o melhor MBA de Brasília.

Se você trabalha ou quer trabalhar na área de gestão de riscos, crédito, controles internos, controladoria ou auditoria de Bancos, Fundos de Investimento, Fundos de Pensão ou de Cooperativas de Crédito, venha cursar o MBA Gestão de Riscos em Bancos e Fundos da Mackenzie Brasília – DF.

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Controle baseado no Risco!

terça-feira, junho 20th, 2017

É enfadonho e ineficiente o controle só pelo controle.

Há atividades e processos que é melhor deixar sem nenhum controle porque não representam riscos financeiros ou de reputação e, cuja tentativa de controlar, representará custos maiores do que os benefícios.

Vamos a um exemplo:

Suponha que você tenha uma tesouraria bancária que faça operações com títulos públicos na Selic e operações com títulos privados na Cetip. A primeira ideia que vem é a de que o controle sobre as operações com títulos privados deva ser mais robusto, certo? Claro, os títulos privados têm muito mais risco de crédito, portanto é preciso estabelecer alçadas rigorosas em função do valor da aplicação, do risco do papel e por aí vai. O trader júnior só poderá aplicar em papeis de risco AAA e até R$ 500 mil. O trader Senior poderá aplicar em papeis AAA até R$ 2 milhões, como exemplo. Claro que os níveis deveriam ser aprovados pelas diretorias de acordo com o seu apetite a risco. E este apetite pode ser medido por alguns métodos quantitativos e/ou qualitativos.

Já nas aplicações em títulos públicos, no open, é possível ser mais liberal, pois os títulos públicos não apresentam risco de crédito e a operação típica é de apenas um dia. São as operações compromissadas com título público federal. Então, poder-se-ia, por exemplo não colocar limites para o trader júnior realizar operações de over. Entretanto, uma ou outra diretoria, poderia pensar diferente e perceber que embora não exista o risco de crédito, existe um risco de liquidez ou um risco de fraude na estipulação da taxa. Vamos detalhar isso.

Alguns títulos públicos cumprem função de liquidez, definida em política, e não podem ser negociados nem na forma compromissada. Então, uma certa diretoria mais conservadora poderia exigir que os trader junior não pudessem realizar operações acima de R$ 5 milhões, com medo de que eles pudessem, inadvertidamente, prejudicar a liquidez. Num banco em que as taxas não fossem controladas automaticamente por sistemas computacionais, por meios de ranges válidas, previamente definidas, poderia definir uma alçada ainda menor com medo de uma fraude na taxa. Entretanto, se há um sistema onde se pode estabelecer os intervalos válidos para as taxas em função do tipo de papel e do prazo, não há porque temer esta situação.

Dessa forma, a gestão dos riscos é que deve inspirar os controles e o volume de controle deve ser tal que o risco remanescente seja aceitável por parte da diretoria. Geralmente, não se busca eliminar os riscos, imunizar a tesouraria ou o banco, busca-se limitar os riscos a patamares aceitáveis.

 

MBA Gestão de Riscos em Bancos e Fundos – Universidade Mackenzie – DF

terça-feira, junho 20th, 2017

MBA Gestão de Riscos em Bancos e Fundos

Vem aí o melhor MBA de Brasília.

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Uma sugestão para o Banco Central: implantar rotina de Clean Up no Crédito Rural

segunda-feira, maio 29th, 2017

A expressão Clean Up, segundo o dicionário de Inglês Merriam-Webster, significa:

 Limpar e Organizar

No jargão bancário, fazer ou exigir um clean up nas operações de crédito de um determinado cliente/tomador de crédito, significa solicitar que ele amortize parte de suas dívidas e/ou reescalone os pagamentos no tempo.

Você deve estar acompanhando nos jornais ou na TV a questão do rotativo do cartão de crédito. Uma nova regra surgiu para impedir que este tipo de dívida vire uma bola de neve. Ou seja, não mais será possível que o portador do cartão de crédito fique pagando mensalmente apenas o valor mínimo exigido e o saldo devedor remanescente seja corrigido por taxas espantosas!

Ora, a história mostra que no crédito rural existe fenômeno semelhante, não com taxas espantosas como no rotativo de cartão de crédito, mas com tempos de rolagem espantosos e que podem acabar em grandes prejuízos que acabam no colo do Tesouro Nacional e, portanto, nas costas do contribuinte brasileiro.

Então, a nova norma para rotativo do cartão de crédito é, nada mais nada menos, do que um clean up nas dívidas do portador de cartão. Depois de rolada por 30 dias, ela será dividida em parcelas para facilitar o pagamento e evitar a tal bola de neve!

Por que não fazer o mesmo no crédito rural? Por que não fazer isso em decorrência das auditorias do Banco Central, por amostragem?

Entendeu?

Eu explico melhor. Suponha que a fiscalização do Bacen chegue numa agência bancária ou cooperativa de crédito e lá perceba uma grande quantidade de tomadores que operam continuamente por mais de cinco anos, safra após safra, ano após ano. Os auditores do Bacen, então, irão selecionar uma amostra desses tomadores de crédito rural para clean up.

Selecionada a amostra de tomadores, a Instituição Financeira (IF) enviará uma carta aos tomadores constantes da amostra informando que eles estão escalados para fazer um clean up em suas dívidas, por medida regulamentar e para a segurança do sistema financeiro.

Tais tomadores receberão um plano individual de amortização da dívida de acordo com a sua condição econômico-financeira e por um período, definido pelo Banco e pela Instituição Financeira, nenhum crédito novo será liberado ao tomador. Dependendo do tomador e de sua condição financeira, este período de carência poderá variar de seis meses a cinco anos. Claro que, em situações extremas,  o tomador jamais terá um crédito novo.

O resultado deste clean up (pagamentos de juros, amortizações ao longo do período de clean up) será monitorado pela instituição financeira e pela própria auditoria do Banco Central. De acordo com o desempenho parcial do tomador, a auditoria do Bacen poderá liberar o tomador da condição de clean up e ele poderá a voltar a tomar crédito normalmente.

Três resultados são esperados deste processo:

Caso 1 : Tomador com Capacidade Normal de Pagamento e Produtivo

Entre seis meses e cinco anos, o tomador será retirado da condição de observação e poderá receber novos créditos.

Caso 2: Tomador sem Capacidade de Pagamento no curto prazo, mas produtivo e recuperável

Um novo plano de amortização das dívidas será estabelecido para esse tomador, que ficará sem novos créditos por um certo período (estipulado pelo Bacen em comum acordo com a IF), de forma a ajustar o fluxo de pagamentos à sua real capacidade financeira.

Caso 3: Tomador sem Futuro

Será estabelecida um novo cronograma de pagamentos, a interrupção dos novos créditos e/ou o ajuizamento imediato das dívidas para evitar a tal bola de neve.

Note que além de resolver especificamente a situação dos tomadores da amostra, tanto a IF quanto o Bacen terão uma boa estatística da carteira da agência, no que tange à expectativa de recebimento das mesmas.

 

O modelo tupiniquim de negócios: lucros fáceis no curto prazo, quase sempre ancorados no governo, e uma bomba relógio para o contribuinte!

domingo, maio 28th, 2017

O modelo tupiniquim de negócios parece ser um samba de uma nota só! Ancoram-se os negócios o máximo possível em verbas, subsídios governamentais e isenções fiscais e lucra-se no curto prazo. No médio e longo prazos estoura uma bomba na cabeça do contribuinte! Foi assim no Banco do Brasil, foi assim na Petrobrás, foi assim no grupo X do Sr. Eike Batista e parece que será assim com  o BNDES e com os grupos empresariais envolvidos na operação Lava-Jato.

Nem pense que a coisa  deva ser assim mesmo! Isto é o que nos deixa subdesenvolvidos, deitados eternamente em berço esplêndido, que nos faz um país desigual,  com uma economia que faz apenas voos de galinha, de curtíssimo alcance.

Precisamos mudar!

Tenho sempre apontado as facilidades que os sistemas cooperativos de crédito têm junto ao governo central, seja na forma de verbas subsidiadas (que em muitos casos nada fomentam mas apenas arbitram a taxa de juros Selic), isenções fiscais que deveriam permitir o alargamento do quadro de associados e o aumento da carteira de crédito,  objetivos que não vem se concretizando no ritmo possível e esperado.

Por outro lado, temo que uma bomba relógio comece a ser armada no momento em que se deixa de investir em questões essenciais  para aumentar o lucro no curto prazo, priorizando a política e não a sustentabilidade econômica. A falta de investimentos em tecnologia, em processos padronizados, em otimização da estrutura organizacional das entidades de segundo e terceiro graus dos sistemas cooperativistas de crédito e, também, a não contratação de profissionais especializados para garantir uma adequada gestão dos riscos,   cria,  no curto prazo, uma falsa sensação de bem estar, de crescimento fácil.

É como acreditar que nessas terras tudo que se planta dá, sem qualquer esforço.  O que mais se colheu por aqui,  desde Pero Vaz de Caminha, foi mesmo a corrupção, esta sim muito bem plantada por várias gerações de portugueses e brasileiros e que nos legou esta cultura do jeitinho.

O brasileiro pobre e o remediado esperam uma verdadeira inclusão financeira, que as cooperativas poderiam lhes fornecer, mas os sistemas cooperativos acomodam-se com os subsídios e facilidades governamentais, não investem e a carteira de crédito do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo não passa dos 2,6% da carteira do Sistema Financeiro Nacional. Tem-se privilegiado o rentismo dos cooperados ricos, imitando a banca tradicional, tão criticada pelo cooperativismo em seus discursos e propagandas.

No que tange aos investimentos mínimos necessários, a sociedade correrá risco se houver crescimento sem uma infraestrutura adequada, notadamente no que diz respeito aos sistemas e métodos padronizados para a gestão dos riscos e, preferencialmente, com visão integral.  Nesse sentido, a sociedade só pode mesmo contar é com a técnica e a diligência dos qualificados funcionários do Banco Central para protegê-la por meio de suas auditorias e recomendações para aprimoramento dos Sistemas Cooperativistas.

Chega de bombas relógio!

 

Estrutura de Capital das Empresas

quarta-feira, abril 26th, 2017

Estava exatamente escrevendo textos sobre finanças quando um amigo de longa data me pediu ajuda para entender o teorema de Modigliani & Miller, sobre estrutura de capital. O enunciado pode ser visto em qualquer lugar que o Google te levar, inclusive na famosa Wikipedia. Modigliani foi agraciado com o Prêmio Nobel em 1985 e Miller em 1990, ao lado de Markowitz e Sharpe.

Antes de enunciar ou demonstrar o objeto do nosso tema, é bom que se diga que pairam inúmeras evidências de que o teorema não se aplica em boa parte dos casos práticos. Sim, é o problema das teorias em ciências sociais, as premissas são muito exigentes e quase sempre não estão satisfeitas no mundo real. Isso, entretanto, não tira a genialidade da dupla Modigliani & Miller em imaginar um mundo teórico (que às vezes acontece na prática, às vezes não) onde há uma certo regramento entre retorno, risco, capital próprio e dívidas nas empresas.

Modigliani & Miller (M&M) disseram o seguinte:

Proposição I: Na ausência de impostos, custos operacionais, custos de transação e custos de agência, não importa a proporção de capital ou dívida, o valor da empresa não se altera.

Vamos, primeiramente, interpretar o que se quis com a proposição I. Imagina que você tenha uma franquia do Macdonalds que atualmente é toda financiada por você, que exige um retorno de 30% ao ano sobre o seu investimento. Surgiu uma oportunidade de tomar recursos emprestado em banco à taxa de 20% ao ano. Você, logo pensa, vou retirar uma porção do meu capital e substituí-la pelo empréstimo bancário que custa menos, assim vou ter uma lucratividade maior e isso vai valorizar o meu negócio. Depois disso vou vender o negócio e vou passear. Segundo M&M, não haverá valorização do seu negócio! Porquê no momento em que você introduzir capital de terceiros introduzirá um novo tipo de risco, o risco financeiro, o risco da alavancagem financeira ou ainda o risco de falência. O futuro pretenso comprador percebendo isso, exigirá uma taxa de retorno maior do que 30% ao ano e isso detonará a sua tese de que o negócio se valorizará. O valor continuará sendo o mesmo. Segundo M&M o valor só depende do fluxo de caixa líquido gerado pelos ativos da sua empresa e não da forma como ele está financiado.

Você pergunta: Ora, mas o fluxo de caixa terá que ser descontado por um custo médio ponderado de capital e quando tiver maior porção de dívida mais barata que o capital, o custo final não será menor? Resposta: Não. Porquê ao mesmo tempo, o custo do capital irá aumentar por perceber dívidas e riscos. No final o custo será constante.

Veja na Tabela I abaixo um exemplo disso:

Tabela I (Ilustração da proposição de M&M num mundo sem impostos)

Note que o fluxo líquido de $ 20 é todo do acionista que investiu $ 100. Ele tem uma taxa de retorno de 20% que é o mínimo esperado para um negócio que tem beta igual a 0,64, num mundo em que o ativo livre de risco rende 11% ao ano e o retorno de mercado é igual a 25% ao ano e o retorno justo do acionista da empresa igual a 20% ao ano,  tudo precificado pelo modelo do CAPM (Capital Asset Price Method) de Sharpe.

Se se considera o fluxo de $ 20 ao ano como uma perpetuidade, temos claramente o valor do capital (que é o próprio valor da empresa) igual a 20/20% = $ 100. Portanto, o capitalista tem o rendimento que merece.

Agora, observe o lado direito da Tabela I. Se você introduz dívidas, a nova estrutura de capital é formada por metade dívida, metade capital. Nesse caso, o fluxo líquido (a perpetuidade) que remunera o capital de $ 50 é de $ 14,50. Vamos descontar este valor pelo custo do capital do acionista desta nova empresa que agora convive com dívidas. Segundo M&M o novo custo de capital, na presença de dívidas, eleva-se a 29%. E como se chegou a este valor. Pela fórmula:

Beta com dívidas = beta sem dívidas + Dívidas/Capital x beta sem dívidas

O beta da empresa sem dívidas é de 0,64 a razão entre dívidas e capital é igual a 1 (50/50) e encontramos um beta com dívidas igual a 1,29. Para este beta, no modelo CAPM, encontramos a taxa justa de retorno de 29% ao ano.

A nova perpetuidade tem valor de 50, idêntico ao capital investido. Portanto, o valor do capital, avaliado a mercado, não muda. E nem muda o valor das dívidas, ficando o valor da empresa (soma dos dois valores) constante, conforme o Teorema I de M&M.

Proposição II de M&M: Na presença de impostos, o valor da empresa com dívidas muda em função do benefício fiscal.

Em outras palavras, quando se introduz as dívidas, o Imposto de Renda é cobrado após a dedução das dívidas, o que gera um benefício fiscal para o acionista. Neste caso, pode-se ver na Tabela II a seguir que o valor da empresa se eleva na proporção do benefício fiscal. No caso, o benefício fiscal é igual ao imposto que se deixa de pagar todo ano em função de os juros da dívida ser lançado antes da apuração do mesmo.

Tabela II

Veja que a rentabilidade do negócio aumentou de 20 para 33,41% e o valor do capital a mercado passou de $ 50 para $ 57,59 e o valor da empresa passou de $ 100 para $ 107,59.

Então, está aí uma breve explicação para um dos momentos mais marcantes da moderna teoria financeira. Para terminar, devemos esclarecer que, na maior parte dos casos reais, no Brasil, a introdução de dívidas pode modificar bastante o valor da empresa, em função de custos de falência e de agência e de subsídios governamentais (financiamentos do BNDES a taxas muito menores do que as de mercado). Imagina, uma empresa pagando 30% ao ano por um financiamento de 20 anos tomado num banco comercial qualquer e outra, do mesmo ramo, tomando a 8% ao ano no BNDES. Isto fará bastante diferença nos valores finais das empresas.

 

Uma comparação entre FGC e FGCOOP!

quarta-feira, março 15th, 2017

 

O FGC é o Fundo Garantidor de Crédito dos bancos pertencentes ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) e o FGCOOP o Fundo Garantidor de Crédito das cooperativas que compõem o chamado Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). Ambos informam cobrir até R$ 250 mil por cliente num determinado banco ou cooperativa que vier a ter o seu funcionamento interrompido pelo Banco Central, via processo de liquidação extra-judicial.

O FGCOOP foi autorizado a funcionar pelo Banco Central do Brasil em 2014, quando alguns fundos de cobertura ligados a sistemas nacionais foram desmontados e apenas uma pequena  parte desses recursos transferidos para o FGCOOP, já que o grosso do dinheiro foi devolvido às cooperativas participantes.

Examinando os balancetes de bancos e de cooperativas, posição de novembro/16, no site do Banco Central, encontramos os maiores volumes de depósitos por bancos e/ou cooperativas que em tese estariam cobertos pelos respectivos fundos, FGC para os clientes bancários, FGCOOP para os associados a cooperativas de crédito.

A seguir apresentamos uma Tabela Comparativa para os dois fundos.

    VCG –> Volume de Contas Garantidas
    PSF –> Patrimônio Social do Fundo

Note que o FGC mantém recursos para cobertura dos valores garantidos na ordem de 3,09% enquanto o FGCOOP possui apenas 0,56%.  Em suma, o FGC tem 56,938 bilhões de reais para fazer frente ao total de depósitos de R$ 1.842,84 bilhões. O FGCOOP possui R$ 581 milhões para fazer frente a R$ 102,92 bilhões.

No caso do FGC há 5 grandes bancos que possuem, cada um deles, saldos de depósitos maiores do que o Patrimônio Social do Fundo (PSF). Esses valores somados chegam a R$ 1.644,22 bilhões e representam 28,88 vezes o PSF do FGC, que é de R$ 56,938 bilhões.

No caso do FGCOOP há 32 cooperativas de crédito com  saldo de depósitos acima do PSF do fundo. Esses valores de depósitos somados totalizam R$ 30,88 bilhões, o que representa 53,15 vezes o valor do patrimônio social do próprio FGCOOP (R$ 0,581 bilhões).

O FGC divulga o percentual dos depósitos que são garantidos, ou seja, depósitos abaixo de R$ 250 mil, cerca de 52%. O FGCOOP não divulga este indicador. Então, por simplificação, resolvemos comparar os saldos totais de depósitos com os respectivos PSF dos fundos.

Note que, no caso do FGC, os cinco grandes bancos que têm valores de depósitos superiores ao PSF  são os denominados “Too Big to Fail – Muito grandes para falir”.  São bancos extremamente diversificados, em termos de setor econômico e geografia dos créditos concedidos e que muito provavelmente o governo federal protegeria de uma bancarrota que pudesse contaminar a economia, levando prejuízo a muitas pessoas. Dá a impressão que se considerou as 32 cooperativas como análogas aos cinco grandes bancos, ou seja, que as mesmas cooperativas foram tomadas como sendo muito grandes para quebrar!

Será que a analogia é válida? Os cinco bancos em tela tem patrimônio líquido superior a R$ 10 bilhões e são bastante diversificados, conforme já salientado. E as cooperativas?  Apenas a maior das 32 cooperativas em tela tem patrimônio superior a R$ 1 bilhão. A menor delas tem Patrimônio Líquido de R$ 200 milhões.  Quatorze dessas trinta e duas cooperativas pertencem a um único sistema cooperativista organizado em nível nacional. Quatro dessas cooperativas estão localizadas numa mesma região e podem ter crédito concentrado em um mesmo setor econômico.

Aparentemente, a analogia em tela não é válida. Com a devolução dos recursos dos fundos privados às cooperativas, deixou-se o FGCOOP numa situação de maior risco, quando se compara com o seu irmão FGC. E se duas ou três cooperativas viessem a apresentar problemas simultaneamente, como seria exercida a garantia aos depositantes?  Os valores não cobertos seriam repassados a quem? aos contribuintes?

Acrescente-se aí o fato de que o Superior Tribunal de Justiça já disse não haver solidariedade presumida entre as entidades componentes de um mesmo sistema cooperativista de crédito, desobrigando o banco cooperativo de indenizar situações de perda de sócios nas cooperativas de crédito.

Penso que, no mínimo, o Banco Central deveria exigir um aperfeiçoamento da Gestão de Riscos dos grandes sistemas cooperativistas de crédito, responsáveis por boa parte das 32 cooperativas em tela,  notadamente enquanto o FGCOOP não completar o seu processo de capitalização.  Quem sabe até induzir nos sistemas cooperativistas organizados em nível nacional uma reorganização de diretorias e cargos de maneira a torná-los mais sinérgicos e menos sujeitos aos impactos que decorrem de conflitos de interesses inerentes ao cooperativismo de crédito. Ou ainda, exigir um reforço de garantia por parte dos sistemas cooperativistas que jurisdicionam as cooperativas com depósito a descoberto, com relação ao PSF do fundo.

Com a palavra o Banco Central!

Medindo a Liquidez nos Sistemas Cooperativistas de Crédito

quinta-feira, março 9th, 2017

Eu escrevi e publiquei aqui no blog um artigo sobre liquidez, destacando a falta de teorias sobre o tema, quando comparada a outras questões financeiras, como rentabilidade, risco de mercado e risco de crédito. O risco de liquidez é o mais fácil de ser entendido, mas difícil de ser precificado! As teorias mais famosas em financas admitem um mercado plenamente líquido em suas premissas, algo bem distante da realidade.  O fato é que, na maioria das vezes, há riscos antecedentes que ao se materializarem provocam o risco ou a crise de liquidez. Por exemplo, uma determinada cooperativa singular concentra as suas operações no setor sucroalcooleiro e padece com uma grande inadimplência concentrada em usinas, produtores rurais fornecedores de cana, empregados da usina e outros da mesma cadeia de produção. Ao não receber os empréstimos, fica sem fluxo de caixa para fazer frente aos compromissos. Dá a impressão que o problema foi de liquidez, mas antes tinha a questão  de crédito, que foi a determinante para a crise de liquidez.

Desta forma, fica claro, também, que no mundo real os riscos estão todos relacionados uns com os outros, daí o Banco Central, recentemente, editar norma para a Gestão Integrada de Riscos – GIR, assunto que ainda será tema de artigo específico neste blog. Aproveitando este ponto para uma brincadeira, nunca me esqueço quando, no último ano do curso de engenharia civil, perguntei ao professor de uma das principais disciplinas do curso: Professor, eu já sei construir pilares, vigas, lajes, agora quem vai me ensinar a juntar tudo isso para projetar uma casa? A resposta foi: só um bom estágio ou um bom emprego. (risos).

Voltemos à questão de mensurar a liquidez. Uma boa mensuração é o começo da boa gestão da liquidez, sem dúvida. Nos sistemas cooperativistas de crédito há muitas operações internas, entre o Banco Cooperativo e a Central, entre a Central e a Singular e entre o Banco Cooperativo e a Singular, que nem sempre aparecem detalhadas nos demonstrativos contábeis, fato este  que pode dificultar a mensuração daquilo  que pode ser considerado líquido ou disponível. Há aplicações da singular na Cooperativa Central que são correspondidas por aplicações da Central no Banco Cooperativo, como forma de reciprocidade e garantia a operações de crédito.   E é aí que mora o perigo! Mais à frente voltaremos a este ponto.

Uma métrica típica de instituições financeiras é a razão entre ativos líquidos e o total de depósitos. Quanto maior esta razão, mais líquida é a instituição financeira. E por que comparar com os depósitos? Porque os depósitos, regra geral, são a principal fonte de recursos/liquidez para a cooperativa e são voláteis, podem ser sacados e as instituições sacadas tem que ter capacidade, a qualquer tempo, de prover recursos para tal. Isto é sagrado! Senão, o Banco Central fecha/liquida a instituição.

Muito bem, se estivéssemos num banco convencional, nós poderíamos adotar como ativos líquidos as aplicações em títulos públicos federais (tvm/open/over) e em cdi´s over de bancos de primeira linha (por exemplo, grandes bancos com mais de R$ 10 bi de ativos) e exigir que a razão entre tais ativos e os depósitos fossem superiores a determinado piso. Que piso? Ora, poderíamos estudar a série histórica de saques/perdas de depósitos, anotando o pior ou um dos piores momentos. O pior valor ou um percentil de corte desta série poderia ser adotado como piso de liquidez. Em vez de olharmos o espelho retrovisor, poderíamos adotar uma visão prospectiva, analisando um ou mais cenários para obter o tal piso.

O que são ativos líquidos para as Cooperativas Singulares? Elas não aplicam diretamente no open ou no cdi como um banco convencional. O recurso passa pela chamada centralização financeira que, por razões políticas, circula pela Cooperativa Central e depois segue para o Banco Cooperativo do sistema a que pertencem. É no Banco Cooperativo onde se realizam de fato as aplicações em mercado segundo uma política já aprovada por todos, seja no open market (títulos públicos federais), em CDI e outros títulos privados via CETIP.  Ora, vejam que a liquidez de uma Cooperativa Singular, nesse ponto, tem mensuração mais complexa do que a de um banco comercial convencional.

Entretanto, poderíamos adotar uma proxy de liquidez, indicando que os ativos líquidos nas Cooperativas Singulares são as aplicações na tal centralização financeira, descontando daí aquelas aplicações dadas em garantia à Central e/ou ao Banco Cooperativo. Com isso, estamos apostando que grande parte desses recursos, na ponta final, ou seja, no Banco Cooperativo, serão transformados em aplicações em títulos públicos federais ou aplicações em cdi´s over de bancos de primeira linha. Faz-se necessário, entretanto, acompanhar diariamente as aplicações da Centralização Financeira pelo Banco Cooperativo (ou eventualmente pela Cooperativa Central) de maneira a garantir que sejam feitas em ativos líquidos, em conformidade com a política de liquidez aprovada pelas instancias superiores.

Então, note desde já o porquê da tal gestão integrada de riscos! Há vários centros de liquidez instalados num Sistema Cooperativista de Crédito organizado em nível nacional.  A Cooperativa Singular, a Cooperativa Central, o Banco Cooperativo ou mesmo uma subsidiaria que lida com fundos de investimento tem o condão de mudar a liquidez de uma cooperativa ou do sistema como um todo. Se uma Singular aplicar direto a sua sobra de caixa em algum outro instrumento fora da centralização financeira ela terá a sua liquidez alterada. Se uma Central deixa de enviar os recursos de suas singulares para o Banco Cooperativo ou mesmo negociar com a Subsidiária do Banco Cooperativo uma aplicação em títulos privados isso também altera a sua liquidez e por consequência de toda a sua jurisdição. É preciso um controle único de tudo isso para que o caos não se instale.

Uma outra questão importante são as garantias internas adotadas pelas entidades que compõem o sistema cooperativo. É comum uma Singular tomar recursos emprestados no seu Banco Cooperativo e dar em garantia algumas de suas aplicações na tal centralização financeira.  Ora, como a maior parte dos recursos da Singular foi aplicada na sua Cooperativa Central, há que se realizar uma triangulação de recursos para satisfazer a exigência do Banco Cooperativo. O problema é que essas triangulações costumam gerar  fragilidades jurídicas, dado que a lei ampara com muito mais substância as garantias diretas entre as Singulares e o próprio Banco Cooperativo. Como citamos em outros artigos aqui no blog,  há medidas que são colocadas muito mais para aumentar a influência política de dirigentes de centrais sobre as singulares do que propriamente para garantir o progresso das cooperativas em uma jurisdição.

É possível que essas garantias que a Cooperativa Central dá ao Banco Cooperativo, em nome das singulares, não apareçam registradas nos documentos contábeis formais. Ora, isso pode distorcer a mensuração da liquidez. Pode-se contar como líquidas determinadas aplicações que já foram dadas internamente em garantia. Se tais garantias continuarem sendo tratadas como ativos líquidos,  pode-se apurar uma liquidez inflada para a Singular e para a Central.

Há que se adotar visão abrangente dos riscos para garantir que as diferentes entidades cooperativistas intervenientes no processo de gestão de liquidez façam a sua parte corretamente. O aperfeiçoamento do processo de centralização financeira traria maior conforto para a gestão da liquidez, sobretudo se as aplicações fossem feitas diretamente pelas Cooperativas Singulares no seu Banco Cooperativo, já que haveria maior respaldo  jurídico para serem utilizadas como garantia aos empréstimos do Banco Cooperativo para a cooperativa singular. Importante registrar, também, que haveria menos intervenientes num processo crítico e especializado, ficando as aplicações das sobras de caixa das singulares (centralização financeira) padronizadas e automatizadas.

Geralmente,  as Cooperativas Centrais e as Confederações tem um viés político e os Bancos Cooperativos, viés técnico. Conforme já comentado em outros artigos do blog, a existência de múltiplas diretorias na sede dos sistemas cooperativistas (Confederação, Banco cooperativo e Subsidiárias do Banco) deixa a gestão dos negócios e em especial a gestão de riscos confusa e, em alguns casos, míope! Uma primeira boa solução seria reunir as citadas diretorias numa única, sob o comando de um único presidente executivo. Uma segunda solução seria  implantar uma gestão integrada de riscos para todo o sistema cooperativista, centralizada no Banco Cooperativo!

O meu novo brinquedinho!

terça-feira, fevereiro 7th, 2017

Prezados leitores,

estou navegando pelos mares da otimização novamente! Digo novamente, porque em 1988 trabalhei pela primeira vez com este tema na UFRJ/COPPE e daí nasceu uma paixão da qual ainda não me livrei. Devo publicar aqui no blog uma série de artigos sobre algoritmos heurísticos aplicados a finanças, a minha atual área de pesquisa. Os algoritmos heurísticos servem-se de muita criatividade para resolverem problemas complexos que não podem ser revolvidos (em tempo hábil) computacionalmente. Se as soluções dos algoritmos heurísticos não são exatas, é preciso estabelecer tetos para os erros produzidos pela aplicação deles. O caso modal de problema de otimização, no campo de finanças, resolvido por heurísticas, é o problema de Otimização de Portifólio. Este problema foi introduzido originalmente por Markowitz, em 1950, mas numa forma mais simples e mais teórica. Quando se adiciona a este problema de Markowitz restrições da prática (número limitado de ativos, upper e lower bounds sobre os ativos e custos fixos e variáveis de aquisição de ativos) o problema fica muito complexo e não pode ser resolvido pelo método quadrático publicado por Markowitz naquela época. Então, recorre-se a uma série de heurísticas. As heurísticas que tem “bombado” ultimamente são aquelas ditas evolucionárias, porque imitam o comportamento de bactérias no corpo humano, formigas no formigueiro e dos genes ao longo da evolução das espécies.

Para entender um pouco sobre este assunto, o leitor leigo pode acessar algumas aulas do Professor Evaristo Chalbaud Biscaia Jr, da UFRJ/COPPE, disponíveis no link a seguir:

http://www2.peq.coppe.ufrj.br/Pessoal/Professores/Evaristo

 

 

As lições sobre cooperativismo de crédito que vem de países mais desenvolvidos

domingo, dezembro 11th, 2016

credit-union-paycheck-deductions

A National Association of Federal Credit Unions (NAFCU), uma associação de cooperativas de crédito norte americanas (análoga, talvez, à Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB, aqui no Brasil) patrocinou um estudo sobre eventuais desvantagens que o governo dos EUA teria, caso fizesse como o Canadá e a Austrália fizeram, ou seja, diminuíram os subsídios governamentais e as isenções fiscais às cooperativas.

O estudo completo e um resumo podem ser vistos no link abaixo:

https://www.nafcu.org/cutaxexemption/

Resumidamente, dois professores pesquisadores,  contratados pela NAFCU, Robert Feinberg, Ph.D., Professor na Economics at American University e Professor Douglas Meade, Ph.D., Director of Research at Interindustry Economic Research Fund Inc, realizaram trabalho de pesquisa sobre a relevância das Credit Union (cooperativas) para a economia norte-americana, inclusive analisando os efeitos nos estados onde as cooperativas atuam.

No artigo em tela, servindo-se de modelos econométricos,  os professores argumentam que, caso o governo dos EUA eliminasse as isenções fiscais, várias cooperativas fechariam, ficando o mercado menos competitivo e os preços dos serviços financeiros mais caros, prejudicando empresas e pessoas associadas a elas. Tal fato poderia implicar em fechamento de empresas e demissões de pessoas, o que, ao fim e ao cabo, reduziriam a arrecadação de tributos por parte dos governos estaduais e central.

Acredito que a grande lição que chega nestas paragens tupiniquins é o alerta para que dirigentes hoje instalados nos sistemas cooperativistas de crédito, não se acomodem com o volume atual de subsídios governamentais que garantem lucro fácil às cooperativas e  trabalhem por um maior crescimento e uma maior participação dos negócios cooperativistas no Sistema Financeiro Nacional.  Eis que a participação de mercado do cooperativismo de crédito precisa se tornar relevante para justificar os subsídios nele aplicados, tal e qual argumentam as Credit Union norte-americanas.

O que fazer para propiciar um maior crescimento e participação no mercado?

As seguintes medidas podem catapultar o cooperativismo de crédito brasileiro rumo aos dez por cento de participação no SFN em menos de 5 anos:

a) Revisão das estruturas organizacionais das entidades de segundo e terceiro graus, racionalizando-as e simplificando-as de maneira a se tornarem mais ágeis e efetivas, reduzindo o nível atual de atrito e entropia na gestão dos negócios;

b) Informatização crescente, notadamente em sistemas de apoio à gestão de crédito (gestão de riscos incluída) para aumentar a participação do crédito cooperativo,  hoje situada em modestos  2,4% do SFN, para posição mais relevante. Acrescente-se, ainda, que a razão entre a carteira de crédito e o Patrimônio Líquido do Sistema Cooperativista de Crédito é de 2,20, enquanto no Sistema Financeiro aproxima-se de 5;

c) renovação do quadro de dirigentes, dando preferencia a dirigentes profissionais de mercado para ocupação dos cargos executivos e os “cooperativistas da gema” nos cargos dos conselhos de governança corporativa.

d) Redirecionamento de parte das verbas destinadas a viagens nacionais e internacionais de “intercambio” para os necessários investimentos em tecnologia.

e) Publicação de balanço social combinado onde fiquem demonstradas a entrada dos subsídios e a utilização dos mesmos, destacando salários de funcionários e  de dirigentes, separadamente,  viagens internacionais de intercâmbio (de funcionários, de dirigentes e de associados, separadamente), investimentos em tecnologia, juros ao capital próprio, os resultados das operações, sobras e outros que se mostrarem relevantes.

Feito isso, os resultados virão e o cooperativismo de crédito poderá gritar em alto e bom som que se faz cada vez mais presente e útil na sociedade, justificando cada centavo de recurso público nele investido, seja através de recursos controlados/subsidiados, de equalização de taxa de juros ou de isenção de taxas e impostos.