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Voltando à operação com o termo de ação!

quarta-feira, novembro 2nd, 2016

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Num artigo anterior descrevemos uma operação de arbitragem financeira que produz um ganho fácil, com taxa de retorno maior do que a taxa livre de risco da economia e sem que o investidor corresse qualquer risco. O agente tomava emprestado à taxa livre de risco (próximo a 14,25% ao ano), comprava uma ação no mercado a vista e, simultaneamente, vendia no mercado a termo! Um desequilíbrio de preços e taxa de juros, permitia o ganho fácil. Como dissemos à época, esta é uma operação possível mas rara, já que os mercados estão cada vez mais afinados, sintonizados uns com os outros.

Entretanto, há uma operação muito comum, da mesma forma descrita, mas que não se caracteriza como sendo arbitragem. É uma operação de risco. Compra-se a ação a vista e simultaneamente vende a termo. Normalmente a taxa do termo é menor do que a taxa livre de risco, mas o agente que monta a operação conta com a antecipação da operação para ter um lucro extraordinário.

Vamos a um exemplo que tudo fica mais fácil. Suponha que uma ação está sendo negociada a R$ 100,00. A taxa livre de risco (a taxa do CDI ou SELIC) está em 14,25% ao ano ou 1,12% ao mês. Então, se corrigirmos o preço da ação a vista por dois meses, o seu preço seria de 100 x 1,1425^(2/12) = 102,25. Entretanto, o mercado a termo negocia a tal ação por R$ 101,91 para daqui a dois meses. Note que a taxa do termo é menor do que a taxa livre de risco. No presente caso a taxa do termo é equivalente a 85% da taxa CDI. Esta é a realidade dos negócios de termo de bolsa onde se compra a ação a vista e vende-se simultaneamente no mercado a termo.

O leitor atento pergunta, e porque eu faria isso? Sintetizar uma operação de renda fixa com ações para ganhar menos do que a taxa do CDI? Da perspectiva de uma instituição financeira que pode aplicar tranquilamente suas sobras de caixa no OPEN ou no CDI, diariamente, porque, então, ela faria um negócio como este?

A resposta é simples: porque espera-se que o comprador do termo, a outra ponta, exerça o seu direito antecipadamente. No exemplo em tela, se com trinta dias o comprador do termo pagasse os R$ 101,91 pela ação que custou R$ 100,00, a taxa de retorno do negócio seria de 25,49% ao ano, ou incríveis 179% da taxa CDI.

Só o comprador (pessoa que o vendedor geralmente não conhece, pois o negócio é intermediado por uma corretora), pode antecipar, mas quando antecipa dá um ganho maior para o vendedor. E porque o comprador do termo faria isso? Ora, uma possibilidade é diante de uma onda altista. Se o preço da ação ao final de 30 dias passar para R$ 105,00, o comprador teria um lucro fantástico.

Digamos que a margem inicial de depósito (garantia) para o comprador tenha sido de 20% (vinte por cento) do valor do termo. Então, no início do negócio ele teve que depositar a quantia de R$ 10,19 para em trinta dias receber a quantia líquida de R$ 13,28. Como assim? Sim, ele recebe de volta a margem depositada (R$ 10,19), paga R$ 101,91 e vende ação no mercado a vista por R$ 105,00. Faça a conta e verá que ele embolsou a quantia de R$ 13,28, produzindo uma taxa de retorno de 24,76% ao ano. Um negócio fantástico tanto para o comprador do termo quanto para o vendedor.

O vendedor aqui opera coberto e dele não é exigida margem de garantia pela bolsa. Ele é chamado de financiador, pois no fundo queria ganhar uma taxa de juros maior do que a normal. O comprador é o especulador puro e simples. Apostava na alta de preço da ação. Se isso não acontecesse ele perderia! O financiador perderia, também, mas somente em termos de oportunidade, pois poderia ter um rendimento de apenas 85% da taxa do CDI caso não houvesse exercício antecipado.

Note que pode haver exercício antecipado tanto na onda altista quanto na queda de preços da ação. Sério? Sim. Acompanhe a lógica! Se o preço vai caindo, a bolsa vai exigindo mais margem do comprador. Se ele percebe que a “a vaca já está indo para o brejo”, ele prefere stopar a operação do que continuar correndo risco. Ele vai e liquida a operação para parar o prejuízo. O financiador do termo ganha com isso.

Portanto, a oportunidade do financiador parece surgir exatamente quando o mercado está muito volátil. Na prática, entretanto, eu, pessoalmente, acredito que esta operação tem lugar mesmo é em cenário altista para a bolsa!

Como última observação, esta operação quase não tem risco, pois a bolsa garante quase tudo, exceto no dia da liquidação em que o dinheiro dos investidores saem da bolsa e transitam pelas corretoras. Os investidores, em particular o financiador, corre o risco de liquidação, normalmente o risco de um dia.

Sintetizando operação de renda fixa com ações!

terça-feira, novembro 1st, 2016

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Já ouviu falar nisso? Pois é, tem coisas de fato surpreendentes no mercado de capitais. Você pode lidar com ações para gerar uma operação de renda fixa. Vamos devagarzinho  para ninguém se assustar e desistir de ler porque a pretensão deste que escreve é atrair leigos para o blog!

Quem compra uma ação obviamente está apostando na alta dos preços. Se você pagar R$ 14,20 na ação da Vale é porque você espera que nos próximos dias ela valorize. Ou você vai vender para realizar o lucro ou você quer ter alguma influência sobre o comando da empresa. O mais comum é o primeiro tipo de ação, a de especulador. Certo?

Agora, você sabia que tem um mercado a termo de ações na própria Bovespa? Isso mesmo, é possível negociar no presente, para tanto pegar a ação  quanto pagar no futuro. Você combina o preço que vai pagar por ela daqui a 30, 60 ou 90 dias. Qual o sentido disso? O mesmo, o de especulação, o de crença que o preço irá subir nos futuro! E neste mercado o legal é que você não precisa desembolsar todo o dinheiro no momento da negociação. Você paga apenas uma margem e os custos operacionais (corretagem, emolumentos da bolsa, taxas etc..). Suponha que a bolsa tenha dito que para uma operação a termo com ação da Vale você tenha que depositar uma margem de 20%. Então, em vez de pagar os R$ 14,20 pela ação você deposita R$ 2,84 e fica com o direito (e também obrigação) de receber a ação daí a 60 dias pagando o restante, o que falta para completar os R$ 14,20. Claro que você espera que no momento em que estiver recebendo a tal ação o preço já seja muito maior do que os R$ 14,20. Imagine, por exemplo, que ao final dos 60 dias o preço da ação esteja em R$ 16,20. Então, o seu fluxo de caixa é mais ou menos assim: na data da negociação desembolsou R$ 2,84 e na data da liquidação (com venda simultânea da ação no mercado a vista) você recebe (R$ 16,20 – R$ 11,36) = R$ 4,84. Então, um ganho fantástico! O mercado a termo permitiu especular ainda mais, pois reduziu o desembolso inicial. Assim, o investidor-especulador pode comprar mais ações a termo do que a vista com o mesmo recurso inicial.

No exemplo anterior, o comprador do termo tem a obrigação de exercer no final do contrato, no vencimento. Se  a  ação  caísse  a  R$ 9,00, o investidor amargaria um prejuízo, pois teria que pagar os R$ 14,20 por uma coisa que está valendo muito menos.

E vendedor do termo? A bolsa só admite a venda coberta! Ele tem que ter a ação depositada em custódia na própria bolsa, mas também não é obrigado a depositar margem.  A lógica deste aqui é contrária à do outro? Aí que está o segredo! Nem sempre. Uma lógica possível é essa, o investidor está carregando a ação (detém a ação) e ao acreditar que ela vai cair de preço, já vende no mercado a termo porque acredita que o preço a vista no futuro será menor.

Entretanto, tem uma outra lógica que é exatamente a objeto deste artigo! Imagine a seguinte situação, o preço da ação a vista está em R$ 14,20, o investidor pode tomar recursos no mercado a 14,25% ao ano e o preço a termo para 60 dias está cotado a R$ 16,00. O agente tem a seguinte ideia: toma dinheiro no mercado a 14,25% ao ano, compra a ação a vista e simultaneamente vende a termo. Ele ficou com a expectativa de receber R$ 16,00 daí a 60 dias, entregando a ação e pagando o empréstimo bancário no valor de R$ 14,52. Restou limpinho no bolso do investidor a quantia de R$ 1,48 e note que ele não desembolsou quantia alguma. Isto é uma arbitragem! O agente aproveitou-se de um desequilíbrio entre os mercados a vista e a termo da ação e ganhou sem correr risco. Esta operação só foi possível porque a taxa implícita no negócio do termo estava muito alta, muito acima da taxa de juros do financiamento bancário. Note que ele ganhou mais do que a taxa livre de risco da economia, no caso, uma taxa de 14,25% ao ano.

A situação acima ocorre na vida real? Resposta: raramente, mas por incrível que pareça ocorre! Onde tem ser humano há erros. Mas em mercados muito líquidos e eficientes, como é o caso da Bovespa, estas distorções vingam apenas por pouco tempo, poucas horas, para logo depois voltar ao estágio de equilíbrio. No caso em tela, muito provavelmente, depois que muitos investidores percebessem a oportunidade e começassem a vender a ação a termo, seu preço cairia para valor próximo de R$ 14,52, tornando inócua a estratégia de arbitragem aqui descrita. Esta estratégia é denominada de operação de financiamento de ações no mercado a termo.

Voltaremos a este assunto para explicar ainda como esta operação pode ser lucrativa mesmo não havendo arbitragem!

 

Uma análise técnica e histórica das carteiras de crédito rural

segunda-feira, agosto 22nd, 2016

                                                      farmer-880567_960_720

Em 1995 o maior banco do país, o Banco do Brasil (BB), informou ao grande público que tinha um rombo de R$ 8 bilhões devido a problemas no crédito rural. Na verdade, em 2001, quando do programa PFIFF (Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais), refez-se esta contabilidade e reconheceu mais R$ 12 bilhões, indicando que o problema em 1995 era maior do que o informado. Eram esqueletos no balanço do banco. Tais esqueletos se formaram ao longo de muitos anos, quem sabe vinte ou trinta, dado que as operações de crédito tinham o seu vencimento prorrogado continuamente, direta ou indiretamente. Quando digo indiretamente quero dizer que uma nova operação pode ser feita para liquidar uma anterior, sem que o devedor pague alguma coisa ou mesmo tenha a sua situação econômico-financeira analisada corretamente.

Este atraso no reconhecimento de um problema é típico do ser humano! É conhecido como o mal do jogador, onde os jogadores teimam em reconhecer a perda e continuam as apostas na tentativa de revertê-la, mas acabam por arriscar ainda mais, aumentando o tamanho do prejuízo que só será revelado num período de tempo seguinte!

Alguém poderia dizer: Murilo, mas o sucesso da atividade agropecuária para o pais é algo inquestionável!  Ela representa 30% (trinta por cento) do PIB e contribui de forma fantástica para a formação de reservas internacionais, dado o volume de exportações! O fato de ser um sucesso não exclui a necessidade de aperfeiçoamento continuo!  É preciso analisar o custo deste modus operandis que o estado brasileiro escolheu para fomentar a agropecuária. O custo do BB e outros que não citei aqui ficaram com o governo e, por conseguinte, com o contribuinte brasileiro. Se fatos assim se repetirem, há que se considerar outras formas de financiar a agropecuária brasileira, não necessariamente eliminando esta forma tradicional, mas disciplinando-a ainda mais!  Lembro aquela frase já citada em outros posts, de um presidente de um grande banco brasileiro: a sua maior qualidade, com o tempo, se não cuidar, vira o seu principal defeito!

Se antes já era difícil fiscalizar a correta aplicação dos recursos de crédito rural, imagina hoje em dia, quando as lavouras e a criação de bovinos expandiram-se fortemente pelo país afora! É preciso recorrer a tecnologias de fotografias por satélite para avaliações rápidas e de menor custo!

Para não voltar muito no tempo, lembro-me de uma situação pitoresca, ocorrida em  93, quando um certo bispo católico numa certa cidade da Bahia, onde o BB despejou crédito rural a rodo, por ser esta uma nova fronteira agrícola, dizer:

Murijo, aqui  fazendeiras beneficiadas pelas empréstimas do BB comprar cabina dupla,  barca, lancha, mota….vocês precisa financiar pobrezinhos”

Era um senhor de uns 60 anos, holandês recém chegado ao país, que falava um português arrastado com sotaque alemão e que tinha se aliado aos grupos campesinos de esquerda! E neste ponto, não é que ele estava quase certo! Estava se jogando dinheiro fora! Dinheiro do contribuinte! Discordamos no ponto em que ele dizia que se deve financiar pobre. Deve-se financiar quem produz e é produtivo, eficiente.  Aos pobres, programas sociais com exigência de reciprocidade! Essa é a única regra que trará benefícios para todos.

Não tenho dúvidas que mesmo nos dias atuais há fraudes no crédito rural. Falsos produtores ainda tomam recursos subsidiados (enquanto a taxa de juros básica está em 14,25% ao ano, há recursos que custam menos de 4% ao ano e há aí uma arbitragem por parte de alguns poucos!) e não produzem absolutamente nada no campo. Acredito também que este percentual seja muito menor do que os de 1993 que o bispo, a olho nú, percebia e espantava-se!

Mas se o país vive uma crise de ineficiência nas suas obras, com sobre-custos,  erros de planejamento e erros de execução, sem falar na corrupção, há que se aprimorar também o processo de financiamento da atividade rural.

Esta questão afeta sobremaneira os sistemas cooperativistas de crédito, repletos de subsídios e verbas públicas, já que os mesmos tem origem nas cooperativas de produção rural e as suas carteiras de crédito rural representam percentual significativo dos seus ativos. O que fazer? É preciso gerir o risco de crédito e operacional associados ao crédito rural.   Preferencialmente por meio de sistemas informatizados, já que em termos de topologia, os sistemas cooperativos em tudo se assemelham ao BB, espalhando as suas atividades e financiamentos pelo Brasilzão afora!

Um bom sistema de análise do produtor rural, onde se avalia a sua capacidade administrativa, o seu caráter e sobretudo a sua capacidade econômico-financeira, atribuindo-lhe limites máximos para a tomada de crédito minimizariam o problema da rolagem crônica das operações de crédito, aquele mesmo que afetou o BB nos idos dos anos 90. Em outras palavras, como o estado brasileiro escolheu financiar continuamente o capital de giro dos produtores rurais, caberia aos analistas de crédito e suas metodologias informatizadas, avaliar aqueles que já estão em estado crítico e que não mereçam mais a regalia! Nos casos críticos, o tratamento seria outro, sem novos aportes de recursos, mas tratando tais casos como de recuperação de créditos!

Na prática, a meu ver, não precisa alterar sobremaneira o modus operandis atual, apenas dotá-lo de mecanismos de gestão de riscos!

Hedge via Derivativos

segunda-feira, agosto 8th, 2016

É muito comum realizar a gestão de riscos de mercado por meio da utilização de derivativos. No Brasil temos SWAPS e DI FUTURO para os casos de risco de taxa de juros, FUTURO DE DÓLAR para risco cambial e o FUTURO DE IBOVESPA para o risco de uma carteira de ações. Tais riscos são mais comuns nos bancos de investimento que mantém tesourarias mais arrojadas e, claro, almejam maior lucro deste negócio. Há que se ter bastante preparo e atenção na utilização dos derivativos para hedge. A escolha dos instrumentos, o conhecimento pleno do seu funcionamento é essencial para se evitar surpresas. Sim, porque derivativos na medida certa é remédio, na medida errada é veneno!

Começando hoje, 01 de agosto de 2016, o meu blog. Idéia central: ajudar as pessoas com informação e conhecimento!

segunda-feira, agosto 1st, 2016