Archive for setembro, 2016

O novo currículo para o ensino de segundo grau!

domingo, setembro 25th, 2016

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Hoje eu conversava no facebook com alguns amigos e conterrâneos sobre a mudança proposta! Quando se verifica as muitas facetas desta questão, registradas pelas pessoas que debatiam, percebe-se logo estar diante de um assunto extremamente polêmico!

Pessoalmente, apoio as propostas sem pestanejar sobretudo pelo motivo que um dos meus amigos debatedores registrou: O MODELO ATUAL NÃO ESTÁ DANDO CERTO!

Mas registrei também um fato interessante que ocorreu na minha trajetória e que transcrevo aqui no blog:

Certa vez eu fiz um curso sobre pedagogia do ensino superior e minha equipe foi encarregada de estudar o sistema de ensino alemão! Fiquei perplexo com o que aprendi! Os alemães são tão pragmáticos que parecem cruéis! No fim descobre-se que só são práticos! O estado alemão provê o melhor ensino gratuito de acordo com a região! Tudo já foi mapeado e padronizado! Se você é da Bavária, por exemplo, seu destino é estudar para técnico em agropecuária! Ponto! Se a família acha que o filho é diferente, procura o representante do estado que lhe aplica uma prova daquelas cabeludas para avaliar se o menino merece outro investimento que não seja aquele padronizado! Se passou, tudo bem, o estado facilita a vida do garoto e garante o ensino especial gratuito! Caso contrário, só com o dinheiro da família! E os alemães como se sabe são campeões em tudo, até no 7×1 ! Rs.

Gastos: despesas, custos ou investimentos? São coisas diferentes!

domingo, setembro 25th, 2016

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A contabilidade é uma ciência muito interessante! Ela reconhece as diferentes naturezas dos gastos e por isso contabiliza-os de forma distinta.  Se a empresa gasta dinheiro na compra de insumos para produzir determinados bens, este gasto é classificado como CUSTO! É um sacrifício de um ativo (caixa) para produzir um outro ativo de maior valor, no caso o bem produzido pela empresa e que será vendido para os clientes. E este benefício ocorrerá muito provavelmente no exercício em curso ou no próximo.

Se não se consegue associar ao gasto benefícios futuros, pelo menos diretamente, eles são classificados como DESPESAS. Assim, os salários pagos ao pessoal da área administrativa de uma indústria são  considerados como despesas, como algo que acontecerá Independentemente da produção e das vendas. Já os salários do pessoal da fábrica, que podem ser associados objetivamente com a produção dos bens fabricados, são considerados CUSTO. O chamado custo de mão-de-obra. Os custos são levados inicialmente aos ativos, na forma de estoques! Na medida que os produtos são vendidos os custos afetam o lucro, diminuindo-os via a componente custo das mercadorias vendidas ou fabricadas, registrado na DRE – Demonstração do Resultado do Exercício.

A última categoria de gastos, uma das mais importantes, é o chamado INVESTIMENTO. São gastos importantes para a sobrevivência ou para a expansão dos negócios da empresa. E como eles trarão benefícios em vários exercícios futuros, a contabilidade os ativa como Permanente, para realizá-los aos poucos juntamente com os benefícios! Esse diferimento no tempo é consequência dos princípios da competência e da confrontação, na linguagem contábil! Numa linguagem coloquial, a contabilidade sabe que o investimento não deve ser avaliado imediatamente mas ao longo de vários exercícios!

Desta forma deve-se ficar atento para o fato de muitos gastos não afetarem o lucro imediatamente! A contabilidade pauta-se nos princípios da competência e da confrontação e não no caixa!

 

Conselho de Administração ou Conselho Administrativo? Do que se trata?

quinta-feira, setembro 22nd, 2016

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Estava ouvindo a Globonews quando ouvi a âncora de um dos programas de notícias informar que fulano, que tinha sido Presidente do Conselho Administrativo da empresa X, tinha se manifestado através de uma carta.

O que é Conselho Administrativo? É o mesmo que Conselho de Administração. As duas expressões estão corretas? Acredito que sim, mas o mais comum é falar Conselho de Administração.

E o que é isso?

Bem, se você é leigo em administração, não tem muito interesse no assunto, eu vou resumir numa única frase:

É um conjunto de pessoas nomeadas para fiscalizar a diretoria da empresa.

Bem, se você quiser saber mais detalhes, continue lendo.

Normalmente, o Conselho de Administração é composto por pessoas experientes, que também já ocuparam cargos executivos nas empresas. Costumam reunir-se uma vez por mês ou quando se fizer necessário para formular e acompanhar o cumprimento da política da empresa.

Então, eles não dirigem a empresa, no seu dia a dia. Esta tarefa fica a cargo da diretoria executiva composta pelo diretor presidente e pelos demais diretores.

Na teoria e na prática há muitas evidências de que os diretores de uma empresa nem sempre agem para satisfazer os proprietários/acionistas. Há conflitos de interesses e, em alguns casos, tanto o presidente quanto os diretores podem agir para se autobeneficiarem. Daí a necessidade de se criar um Conselho de Administração.

O evento mais comum é a própria definição dos salários dos diretores executivos. Melhor que pessoas independentes definam os valores dos salários. Tipicamente, esta é uma função do Conselho de Administração.

Um outro exemplo, o presidente da empresa (da diretoria executiva) informa ao Conselho de Administração que quer comprar um automóvel da marca Ferrari, no valor de R$ 800 mil, para lhe servir enquanto executivo da empresa. O Conselho de Administração pode negar, entendendo que não há tal necessidade e estipular uma política em que os veículos dos executivos da empresa não podem custar mais do que R$ 150 mil.

Os diretores executivos da empresa (aqueles que tocam o dia a dia da empresa) podem participar do Conselho de Administração? Podem, mas não devem. O melhor é que se tenha Conselheiros independentes. Normalmente, o modelo mais utilizado no Brasil é deixar o diretor presidente participar como conselheiro, mas sem assumir a presidência do próprio Conselho de Administração.

No caso de bancos, as normas do Banco Central exigem a figura do Conselho de Administração, mesmo que a empresa não seja uma S.A. com ações negociadas em bolsa. O Banco Central é cuidadoso e exigente no tocante à Governança da empresa.

Governança? O que é isso?

É o conjunto de procedimentos e de pessoas, reunidas em comitês, para resguardar os direitos dos acionistas e de outras partes interessadas na empresa. Podemos dizer que o Conselho de Administração é a principal entidade envolvida na governança da empresa.

 

Já que estamos todos aqui, façamos uma reunião!

quinta-feira, setembro 22nd, 2016

assalto

O Banco do Brasil manteve por muitos anos um jornalzinho denominado BIP,  Boletim  Interno do  Pessoal. A melhor parte era a última seção, onde publicavam as HISTÓRIAS NÃO ESCRITAS do pessoal da casa. Eu tento recontar aqui aquela que mais me marcou e confesso que não me lembro do autor, mas vou tentar recuperar junto a ex-colegas ou na internet e voltarei ao assunto, seja para reeditar este artigo ou para um reparo num novo artigo.

Um certo funcionário do Banco do Brasil, muito metódico, chegou ao cargo de Gerente de Agência, função que exercia com muita dedicação e esmero. Estando lá na sua terceira ou quarta gerência, ele experimentou um dos momentos mais difíceis de sua vida, um assalto!

Os ladrões colocaram todos os funcionários da agência num único banheiro e gritaram para todos ouvir que se saíssem dali seriam mortos. Muita tensão entre os colegas, silêncio, ouvia-se a respiração irregular de alguns, o choro contido de outros e, quase duas horas depois, o gerente querendo acalmar os colegas e ajudá-los a suportar aquele momento difícil soltou a seguinte frase:

  • Colegas, já que estamos todos aqui, façamos a nossa reunião semanal!

Conta-se que colegas situados em posições mais distante do gerente, murmuravam palavras como doido, doente, louco, biruta, mas outros riram e o clima foi melhorando aos poucos até que resolveram deixar o banheiro. Os bandidos já estavam longe e, para variar, muito tempo depois a polícia chegou.

A culpa é do Comitê!

terça-feira, setembro 20th, 2016

bacaninha_velhinho

Havia uma denúncia circulando pela praça e que chegou a Brasília. O assunto tinha sido objeto até de uma nota, dessas de fofoca, de coluna social, no jornal O Popular de Goiânia. Numa certa cidadezinha próxima à capital goiana, alguém estava atrapalhando a vida dos produtores rurais, deixando-os insatisfeitos com relação ao atendimento pela agencia bancária. O interessante é que a denúncia, quando circulava, sempre fazia uma ressalva que tudo acontecia à revelia do gerente principal, que figurava como pessoa muito educada e cortês com os clientes, sobretudo com os produtores.

Fui enviado à agência para apurar as denúncias. Chegando lá, comecei a conversar com os funcionários da agência e com algumas lideranças municipais em busca de informações mais detalhadas. Como o prédio da agência estava em reforma, todos os funcionários, inclusive eu, auditor, ficávamos muito mal acomodados. Mas foi exatamente em função disso que ocupei posição privilegiada! Acabei ficando atrás de uma parede improvisada com tapume onde do outro lado ficava a mesa do gerente principal e  assim passei a ouvir toda a sua conversa com os clientes,  a maior parte composta por produtores rurais em busca de operações de custeio agrícola ou pecuário.

Logo nas primeiras horas ouvindo a conversa do gerente (digamos que se chamava Márcio, um nome fictício) eu notei que ele sempre dizia que gostaria muito de atender os produtores nos seus pleitos, mas o comitê votava contra! Era comitê pra cá, comitê pra lá e os ruralistas pouco falavam, mas ficavam com aquele olhar estupefato, ouvindo o Márcio falar tanto do comitê!

Para quem não é do ramo bancário, comitê é simplesmente o nome do conjunto de funcionários da agência que participam da decisão do crédito! No caso, a agência do interior do Goiás tinha três gerentes de conta e um gerente principal, o Márcio. De maneira que sentavam-se sempre as 4 pessoas para decidir sobre os valores a serem emprestados ou mesmo se seriam ou não emprestados.

Eis que fui no sindicato dos produtores rurais para uma conversa com o presidente da entidade! Um produtor muito rico mas muito simples! Era mesmo impressionante como ele falava um português errado, como era simplório para algumas questões (as da organização bancária, por exemplo) mas como exercia liderança sobre os seus pares e como tinha tido um estrondoso sucesso na sua área profissional! Coisas do Goiás, esse estado maravilhoso, de pessoas simples (e ricas!) e francas!

Na conversa, que ocorreu lá pelo quinto dia de trabalho na cidade, já entendi tudo. Aquele senhor, presidente do sindicato, acreditava que Comitê fosse o nome de uma pessoa, de um funcionário da agência que estava ali para atrapalhar os negócios! Não associava a palavra com o conjunto de funcionários liderados pelo próprio Márcio.

Muito pouco tempo depois da minha passagem pela agência, o Márcio, que já tinha lá os seus 62 anos, resolveu se aposentar. Era uma pessoa muito bacana, muito culta, super educada, mas que não tinha o menor jeito para gerenciar uma agência daquele porte! Tinha feito uma carreira longa como técnico, brilhante com certeza, mas não tinha habilidade gerencial.  Ele sofria muito diante dos clientes, morria de medo de dizer um NÃO e deixava a coisa sempre no ar, contribuindo para a desinformação tanto do presidente do sindicato quanto dos demais produtores.

 

O cliente carrapato!

segunda-feira, setembro 19th, 2016

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Era o ano de 1991 e eu estagiava como Auditor de um importante banco no país. Visitava as agências bancárias, as vezes de forma programada, outras vezes de surpresa, e no início era sempre acompanhado por um auditor mais experiente, chamado Guru!

Estando numa agência no interior de Goiás, sobre a qual pairavam uma lista grande de denúncias (nem sempre verdadeiras!) sobre a atuação de gerentes de conta e do gerente principal, eu seguia uma cartilha de procedimentos para auditores iniciantes.

A cartilha era muito bem redigida (aliás, uma das qualidades deste banco onde trabalhava, redações perfeitas, como manda a melhor gramática de português!) e eu trabalhava sempre acompanhado pelo Guru que, neste caso, me delegava a maior parte das tarefas, pois já era a terceira missão que fazíamos juntos!

Depois de uns dez dias eu disse, Antônio (nome fictício para o Guru), já terminei todos os levantamentos e testes e nada encontrei de errado. Talvez alguns poucos casos de adiantamento a depositantes, mas que, aparentemente,  estão sob controle, porque o gerente sempre tem uma boa explicação para a origem do evento e boa perspectiva de regularização. E complementei, acho que vamos terminar antes do prazo e já poderemos seguir para o núcleo de auditoria para finalizar o relatório!

O Antonio respondeu:

  • Não senhor, só estamos começando. Agora vai começar de fato a auditoria, vamos analisar as operações dos clientes carrapatos!
  • Uai, que história é essa? Isso não está no roteiro!
  • Pois é, mas é a parte mais animada desta auditoria! Tenho informações de que alguns clientes vem acompanhando o gerente da agência nos últimos dez anos. Por onde ele passa (eis que os gerentes de agencia deste banco eram rodiziados de três em três anos, em média), ele carrega alguns clientes. Estes são os clientes carrapatos! Se você pegar uma amostra aleatória a chance de encontrar problemas, segundo a minha experiência, é algo em torno de 5%, mas se você pegar uma amostra de clientes carrapatos, esta chance aumenta para uns 25%.

E não deu outra, foi só pegar a relação dos tais clientes que começaram a aparecer as irregularidades nas operações de crédito, em percentual bem acima da média!

Isto ocorre em todas as instituições financeiras! Sem exceção! É bom sempre ter um programa de auditoria para avaliar tais clientes e suas operações!

 

O que os juros básicos da economia norte americana tem a ver com o Brasil?

segunda-feira, setembro 12th, 2016

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Você reparou que na última sexta-feira o Ibovespa que estava acima dos 60 mil pontos, logo na abertura do mercado, caiu para menos de 58 mil pontos. A explicação dada pela mídia foi a revisão da taxa de juros paga pelo tesouro americano!

Você deve estar se perguntando: O que isso tem a ver com o Brasil?

Resposta: Muito a ver!

A taxa básica americana é denominada FFR – Federal Funds Rate. É em tudo análoga à nossa taxa Selic. É uma taxa média dos negócios praticados pelos bancos americanos na troca de reservas diárias. Claro que é completamente influenciada pelo FED – Federal Reserve, o Banco Central norte americano.

Atualmente esta taxa está sendo praticada entre 0,5 e 1,00% ao ano. Lembre-se de que a nossa taxa básica é de 14,25% ao ano! Pois bem, a cada reunião do FED, análoga às reuniões do nosso COPOM, Comitê de Política Monetária, eles informam o que pretendem fazer com esta taxa num futuro próximo!

Na última sexta-feira a bolsa amanheceu com a informação de que aquela taxa, a FFR, iria subir e a bolsa despencou! Qual é a lógica disso? Ora, se a taxa livre de risco (a FFR) da maior economia do mundo sobe, ela atrai os maiores investidores do mundo para lá. Por ser um porto seguro dos investimentos financeiros, a taxa básica de juros dos EUA tem o poder de movimentar verdadeiras fortunas de um dia para o outro!

Então, a notícia de aumento na taxa americana causa frisson nos investidores da Bovespa, que passam a sacar os seus recursos para aplicarem nos EUA (notadamente os investidores estrangeiros que lá estão aplicados). Eis que os detentores de ativos (ações, por exemplo) começam a vender em massa e, pela lei de oferta e procura da economia, os preços caem! Se os ativos perdem preço, o Ibovespa (índice Bovespa) recua.

O pior mesmo é o que pode ocorrer com os investimentos diretos dos estrangeiros no Brasil. Da mesma maneira, investidores internacionais podem desistir de aplicar os seus recursos no Brasil, na indústria ou comércio, e isso piora ainda mais a expectativa de crescimento da economia, refletindo novamente sobre o Ibovespa.

A famosa Lei dos Grandes Números

segunda-feira, setembro 12th, 2016

dado

Você já ouviu falar nesta lei da matemática das probabilidades?

É cada vez mais utilizada nos diversos campos da pesquisa, notadamente na pesquisa médica! Leia uma bula de remédio e você verá uma coleção de dados estatísticos sobre experimentos com as drogas que compõem o remédio.

A viagem de uma nave espacial, a previsão do tempo, por exemplo, só são possíveis graças a teoria de probabilidades que assenta-se nesta tal Lei dos Grandes Números!

Em  vez  de falarmos sobre teoremas e fórmulas matemáticas vamos usar o computador e o aplicativo MS – Excel, ferramentas muito populares, para tentar entender a tal lei.

Diz a teoria das probabilidades que se eu jogar uma moeda há 50% de chance de dar cara e 50% chance de dar coroa! Vamos fazer alguns experimentos com a ajuda do computador, mirando no número de caras sorteadas. Eu não tenho paciência para ficar jogando moedas ad eternum. (risos).

A minha primeira ideia é abrir uma planilha do Excel e utilizar a ferramenta geração de números aleatórios para simular a jogada da moeda. No Excel 10, vai-se ao menu Dados e, dentro dele, escolhe-se o item Análise de Dados. Dentro da janela Análise de Dados, escolhe-se Geração de número aleatório! Veja a janela da ferramenta em questão com os parâmetros preenchidos:

geracao-aleatoria

Veja que no campo Número de Variáveis atribuímos o valor 30. Isto significa dizer que teremos 30 colunas de variáveis aleatórias geradas. O Número de números aleatórios foi preenchido com o número 10, para indicar que cada geração terá dez sorteios da moeda. Portanto, cada coluna gerada na planilha tem 10 linhas, indicando que em cada uma das trinta, a moeda foi jogada dez vezes seguidas.

O valor p foi preenchido com 0,5 para indicar que a chance (probabilidade) de dar cara é de 50% em cada lançamento da moeda equilibrada. E o Número de tentativas é 1, para indicar que o evento é o sorteio de uma única moeda.

O resultado percentual do número de caras em cada coluna variou de 10% a 90% de caras! E você pergunta? Mas a probabilidade de dar caras não é de 50%. Resposta: sim! Mas isso não significa dizer que em cada conjunto de dez sorteios da moeda você terá exatamente 5 caras.

Tive uma nova ideia, vou aumentar o número de sorteios da moeda em cada coluna analisada. Antes tínhamos 10 sorteios em cada coluna, agora vou utilizar a mesma ferramenta para gerar 100 sorteios. Então, o computador gerará 30 colunas, cada uma delas com a simulação de 100 sorteios da moeda equilibrada. Examinando a frequência de caras em cada uma das trinta colunas, este número variou de 39 a 57, ou seja, indicando que haveria de 39 a 57% de caras nos sorteios! Na média o percentual de caras foi de 50,50% (média dos percentuais de caras nas trinta colunas). No caso anterior, quando tínhamos apenas 10 sorteios por coluna, o percentual médio foi de 46%.

Continuando, resolvi gerar outras 30 colunas mas cada coluna agora tem 1.000 sorteios da moeda equilibrada. E noto que o percentual de caras variou menos nas trinta colunas observadas. O percentual médio, considerando, as trinta colunas, foi de 49,77%.

Gerei novas trinta colunas com dez mil sorteios da moeda equilibrada cada. O percentual médio de caras foi para 50,11%. Conclusão, na medida em que se aumenta o número de sorteios, o percentual de cara na amostra vai se aproximando cada vez mais dos 50%, o número teórico que retrata a tal  probabilidade de ocorrer cara.

Então, a probabilidade teórica se realiza na prática quando o número de experimentos tende a infinito, ou seja, quando se repete muitas vezes o experimento.

Então, é preciso ter cuidado com a teoria de probabilidades! Não se pode querer precisão quando se lida com poucas observações. Esta é a lógica da Lei dos Grandes Números.

Na Gestão de Riscos de Instituições Financeiras, o bom é nem deixar a vaca olhar para o brejo!

domingo, setembro 11th, 2016

vaca-no-brejo

Eu era menino pequeno em Miraí, MG, e um dia minha mãe me deu um relógio mondaine, uma das melhores marcas para a época! Foi então que ela disse:

  • Menino, vê se você não vai destruir esse relógio como fez com os seus brinquedos não, viu?

Eu, mais do que depressa, botei o relógio no braço e saí pela cidade desfilando diante dos amigos. Eis que voltando de uma partida de futebol, avistei a minha mãe e ela me perguntou:

  • Cadê o seu relógio, meu filho?

Eu disse:

  • Esqueci numa moita de capim, perto do campo onde estava jogando bola!

Ela retrucou:

  • Xiiii…a vaca já foi para o brejo!

A partir daí eu descobri que esta expressão “a vaca foi para o brejo” tratava-se de algo ruim, no caso em tela o sumiço do relógio, que nunca mais foi visto. Pelo menos por mim! Entretanto, o povo do interior utilizava a expressão de forma generalizada para traduzir uma situação de perda iminente!

Passado algum tempo, eu já estava, talvez, com uns 30 anos, fui descansar num certo julho numa fazenda aqui perto de Brasília. Tinha e tenho um grande amigo, vamos chamá-lo de Zé, que era capataz desta fazenda, um verdadeiro faz-tudo que cuidava do gado, do leite, das cercas, enfim, trabalhava com a euquipe!

Estando lá uma semana me deparei exatamente com uma vaca que entrou dentro de um brejo (uma região inundada por água, o capim quase todo coberto), uma vaquinha tranquila, mas paralisada no meio deste campo. Eu chamei o Zé e sugeri que retirássemos ela de lá. O Zé disse:

  • Murilo, esta aí já era! Não sai mais daí. Nós não aguentaremos removê-la daí, e o trator jerico está quebrado!

No que retruquei:

  • Zé, nós tocamos ela dali!

e ele disse:

  • Dali, ela só sai morta!

Passadas algumas horas, já na casa sede, vi uma outra vaca deitar-se quase em frente à porta principal com ares de tristeza e desanimo! Era mais um caso de morte iminente segundo o meu amigo que disse:

  • Murilo, essa aí não aguentou nem ir para o brejo!
  • Ah Zé! Esta aqui não vai morrer não! Vamos pegar um pau e atravessar por debaixo da barriga dela, aí  cada um pega de um lado e fazemos uma alavanca para levantá-la!

E assim fizemos  umas três vezes, mas o destino foi mais forte! De noite, enquanto dormíamos, a vaca deitou de novo e morreu na madrugada!

Dias depois, tomando uma pinguinha no terreiro,  ele me explicou que o modelo de criação era assim, algumas vacas iriam morrer mas isso fazia parte do show! O patrão é que implantou este modelo de pecuária onde não poderia haver gastos extras com ração ou mão-de-obra. No final, mesmo assim, o lucro era garantido!

De qualquer forma, aos 30 anos, eu entendi perfeitamente o porquê do ditado popular a vaca foi para o brejo! Parece se tratar de uma espécie de suicídio ou eutanásia para abreviar o sofrimento animal, vai saber!

Dias se passaram, já fora da fazenda, eu perguntei a outro amigo, veterinário, o porquê de tudo aquilo que acontecia na fazenda do Zé e ele me disse: um modelo econômico. Ruim, mas um modelo muito praticado no interior de alguns estados brasileiros.  A premissa é não gastar com  ração, vacinas, sais minerais, visando um lucro máximo com esforço mínimo!  Segundo o mesmo veterinário, um erro crasso, porque se houvesse investimentos  as vacas nem sequer olhariam para o brejo, produziriam mais leite ou mais carne! Aqui utilizei a palavra vaca, mas normalmente se tem bois e vacas na atividade pecuária.

Voltando ao nosso campo de estudo, o da Gestão de Riscos das Instituições Financeiras, o bom é investir em prevenção, controles, para que a vaca não flerte com o brejo!  (risos). Deixar todas as agencias (análogas às vacas desta história) soltas, sem controle, sem sistemas que detectem procedimentos estranhos (outliers), prorrogação contumaz de operações, inadimplência crescente, posição de liquidez abaixo de um piso estipulado em política, insuficiência crônica de capital, alavancagem de crédito muito acima da média, pode ser equivalente a cultivar brejos para garantir o suicídio coletivo das vaquinhas!

 

 

Há algo para comemorar?

quinta-feira, setembro 8th, 2016

Cooperativas-de-crédito-já-são-o-6º-maior-banco-do-país-21

Há cinco anos o STJ publicou a notícia que pode ser vista no link abaixo

http://stj.jusbrasil.com.br/noticias/2732148/banco-cooperativo-nao-responde-por-relacoes-entre-cooperativa-de-credito-e-seus-associados

mas que também listamos logo a seguir de forma resumida:

Banco cooperativo não responde por relações entre cooperativa de crédito e seus associados
Não há solidariedade passiva entre bancos cooperativos e cooperativas de crédito em relação às operações que estas últimas realizam com seus cooperados. O entendimento foi adotado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reformou decisão da Justiça de São Paulo para isentar o Banco Cooperativo do Brasil S/A (Bancoob) da responsabilidade pelos valores que um grupo de investidores havia aplicado na Cooperativa de Crédito Rural das Regiões Nordeste Paulista e Sul Mineira (Credibrag), na cidade de Bragança Paulista.De acordo com o ministro João Otávio de Noronha, relator de recurso especial interposto pelo Bancoob contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o sistema de crédito cooperativo funciona de molde a preservar a autonomia e independência e consequente responsabilidade de cada uma das entidades que o compõem. Segundo ele, a obrigação solidária só existiria se fosse prevista em acordo entre essas entidades ou imposta por lei, não podendo jamais ser presumida como estabelece o Código Civil.

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O STJ entendeu que o Banco Cooperativo não têm nada a ver com eventuais prejuízos de associados de cooperativas singulares vinculadas ao sistema cooperativista a que  pertencem!

Imagine se a notícia fosse assim:

As sedes de Bradesco e  Itaú comunicam que não respondem centralizadamente por eventuais prejuízos que os seus milhões de  clientes de suas milhares de agencias vierem a experimentar!  Os clientes que se sentirem prejudicados deverão acionar a justiça local contra a administração da agência em busca de reparação de seus direitos.

Diante de uma noticia como esta você provavelmente iria retirar seu dinheiro dos dois bancos! Certo? Se não retirasse iria diminuir ou passar a monitorar com um certo grau de desconfiança os negócios do banco!

Você deve estar pensando, o exemplo não é bom, pois no caso dos bancos tem-se uma única empresa responsável diante de seus clientes e no caso das cooperativas cada uma delas é uma empresa autônoma, com CNPJ próprio. Entretanto, esta é provavelmente a sensação que um associado a uma cooperativa de crédito teria ao ler a notícia em tela! Nesta hora vale a máxima: farinha pouca, meu pirão primeiro!

Num artigo anterior já sugerimos que os princípios cooperativistas deveriam conversar com a matemática, quando falamos em ótimos globais e locais. Aqui, de novo,  lembramos o óbvio, é preciso conversar também com os princípios econômicos! Sabidamente, os agentes racionais da economia têm forte aversão a riscos. Na medida em que se informa que cooperativas regionais, mesmo participando de sistemas nacionais e adotando a mesma marca, não teriam proteção além dos recursos locais e do definido pelo fundo garantidor, isto com certeza afugentaria antigos e potenciais associados!

Por outro lado,  me vem uma pergunta: as atuais campanhas institucionais das marcas dos sistemas cooperativistas de crédito,  veiculadas inclusive em mídia televisiva, deixam tudo isso muito claro? Dizem com clareza que não há solidariedade entre as entidades que compõem o sistema nacional?

Sabidamente, hoje os sistemas cooperativistas são líquidos (pois ainda operam pouco) quando vistos como um todo, condição já descrita em outros artigos. Entretanto, desconfiamos que casos como este da decisão do STJ, são mais uma medida da entropia (medida do grau de desorganização de um sistema) do que de valor ou vantagem a ser cultivada e comemorada.

Melhor seria se cultivassem a solidariedade, que inspiraria mais segurança e atrairia cada vez mais associados, induzindo assim um crescimento ainda maior dos negócios cooperativistas de crédito.