Archive for dezembro, 2016

As lições sobre cooperativismo de crédito que vem de países mais desenvolvidos

domingo, dezembro 11th, 2016

credit-union-paycheck-deductions

A National Association of Federal Credit Unions (NAFCU), uma associação de cooperativas de crédito norte americanas (análoga, talvez, à Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB, aqui no Brasil) patrocinou um estudo sobre eventuais desvantagens que o governo dos EUA teria, caso fizesse como o Canadá e a Austrália fizeram, ou seja, diminuíram os subsídios governamentais e as isenções fiscais às cooperativas.

O estudo completo e um resumo podem ser vistos no link abaixo:

https://www.nafcu.org/cutaxexemption/

Resumidamente, dois professores pesquisadores,  contratados pela NAFCU, Robert Feinberg, Ph.D., Professor na Economics at American University e Professor Douglas Meade, Ph.D., Director of Research at Interindustry Economic Research Fund Inc, realizaram trabalho de pesquisa sobre a relevância das Credit Union (cooperativas) para a economia norte-americana, inclusive analisando os efeitos nos estados onde as cooperativas atuam.

No artigo em tela, servindo-se de modelos econométricos,  os professores argumentam que, caso o governo dos EUA eliminasse as isenções fiscais, várias cooperativas fechariam, ficando o mercado menos competitivo e os preços dos serviços financeiros mais caros, prejudicando empresas e pessoas associadas a elas. Tal fato poderia implicar em fechamento de empresas e demissões de pessoas, o que, ao fim e ao cabo, reduziriam a arrecadação de tributos por parte dos governos estaduais e central.

Acredito que a grande lição que chega nestas paragens tupiniquins é o alerta para que dirigentes hoje instalados nos sistemas cooperativistas de crédito, não se acomodem com o volume atual de subsídios governamentais que garantem lucro fácil às cooperativas e  trabalhem por um maior crescimento e uma maior participação dos negócios cooperativistas no Sistema Financeiro Nacional.  Eis que a participação de mercado do cooperativismo de crédito precisa se tornar relevante para justificar os subsídios nele aplicados, tal e qual argumentam as Credit Union norte-americanas.

O que fazer para propiciar um maior crescimento e participação no mercado?

As seguintes medidas podem catapultar o cooperativismo de crédito brasileiro rumo aos dez por cento de participação no SFN em menos de 5 anos:

a) Revisão das estruturas organizacionais das entidades de segundo e terceiro graus, racionalizando-as e simplificando-as de maneira a se tornarem mais ágeis e efetivas, reduzindo o nível atual de atrito e entropia na gestão dos negócios;

b) Informatização crescente, notadamente em sistemas de apoio à gestão de crédito (gestão de riscos incluída) para aumentar a participação do crédito cooperativo,  hoje situada em modestos  2,4% do SFN, para posição mais relevante. Acrescente-se, ainda, que a razão entre a carteira de crédito e o Patrimônio Líquido do Sistema Cooperativista de Crédito é de 2,20, enquanto no Sistema Financeiro aproxima-se de 5;

c) renovação do quadro de dirigentes, dando preferencia a dirigentes profissionais de mercado para ocupação dos cargos executivos e os “cooperativistas da gema” nos cargos dos conselhos de governança corporativa.

d) Redirecionamento de parte das verbas destinadas a viagens nacionais e internacionais de “intercambio” para os necessários investimentos em tecnologia.

e) Publicação de balanço social combinado onde fiquem demonstradas a entrada dos subsídios e a utilização dos mesmos, destacando salários de funcionários e  de dirigentes, separadamente,  viagens internacionais de intercâmbio (de funcionários, de dirigentes e de associados, separadamente), investimentos em tecnologia, juros ao capital próprio, os resultados das operações, sobras e outros que se mostrarem relevantes.

Feito isso, os resultados virão e o cooperativismo de crédito poderá gritar em alto e bom som que se faz cada vez mais presente e útil na sociedade, justificando cada centavo de recurso público nele investido, seja através de recursos controlados/subsidiados, de equalização de taxa de juros ou de isenção de taxas e impostos.

 

O que a sociedade espera dos sistemas cooperativistas de crédito?

sábado, dezembro 10th, 2016

solidariedade

Repletos de recursos governamentais subsidiados e contemplados com expressiva isenção  fiscal os sistemas cooperativistas de crédito respondem por menos de 3% (três por cento) dos negócios do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

É preciso crescer com segurança para retribuir à sociedade o investimento que hoje se faz, alcançando participação tal que os permita exercer o papel de moderadores de taxas e preços de serviços financeiros, hoje controlados pelo oligopólio formado pelos maiores bancos do país!

O crescimento sustentável em busca da participação relevante no SFN virá com a otimização das estruturas organizacionais das entidades  de segundo e terceiro graus, reduzindo custos, sombreamentos, melhorando a comunicação e sobretudo implantando uma política de enforcement que induza o cumprimento das estratégias e normas internas por todo o conjunto.

Urge rever as estruturas organizacionais das entidades de terceiro grau, simplificando-as e dotando-as de sinergia para ajudar as cooperativas nesta longa caminhada!

Folha de São Paulo entrevista o Presidente do IBGE, Paulo Rabello de Castro, 05/12/2016

segunda-feira, dezembro 5th, 2016

Risco de economia permanecer estagnada é visível a olho nu’, diz presidente do IBGE

Divulgação
O presidente do IBGE, Paulo Rabello de Castro, em seu escritório, no Rio
O presidente do IBGE, Paulo Rabello de Castro, em seu escritório, no Rio

MARIANA CARNEIRO
ENVIADA ESPECIAL AO RIO

Os números mais recentes da economia confirmam que o país continua em profunda recessão. Para o presidente do IBGE, o economista Paulo Rabello de Castro, 67, crescer 1% no ano que vem ainda será pouco.

Estatisticamente, o número voltará ao terreno positivo, mas o estrago em termos de emprego e renda ainda terá uma resposta fraca.

Castro concedeu esta entrevista antes da divulgação do PIB, na quarta (30). Segundo ele, a análise se baseia em dificuldades observáveis a olho nu.

O quiproquó político só aumenta a tensão, diz o aliado de Michel Temer, que chegou à presidência do IBGE com a ascensão do atual mandatário.”Nós não conseguimos fazer o time jogar bem”, disse ele, sobre as forças produtivas do país. “As empresas entram mal em campo, as pessoas são desempregadas. Todos ficam desesperançados, a produtividade geral cai e o governo gasta demais.”

“A pior coisa que poderíamos enfrentar hoje é um novo estado de desconfiança em relação à figura do presidente da República.”

Folha – Em que estágio estamos nesta recessão?

Paulo Rabello de Castro – Ainda estamos regredindo. E, se olharmos à frente, vemos projeções menos favoráveis do que há seis meses. À medida que os meses de 2016 foram avançando, foi ficando claro que a reversão do processo recessivo será mais lenta e mais penosa, do ponto de vista do que mais nos interessa, que é a recuperação do emprego. Portanto, o quadro não é bom.

A recessão vai se estender até 2017?

Essa recessão é um bicho diferente, que deveria suscitar um debate especial. Porque algo de muito ruim pode estar acontecendo na configuração das forças produtivas, uma disfuncionalidade entre os fatores de produção.

Nós não conseguimos fazer esse time jogar bem. Veja a seleção brasileira, uma rearticulação na cabeça do técnico fez emergir com os mesmos jogadores um outro time. Esse é o milagre que eu esperaria do governo. Não podemos trocar os jogadores. Algo há de errado na disposição desse time. As empresas entram mal em campo, as pessoas são desempregadas. Todos ficam desesperançados, a produtividade geral cai e o governo gasta demais, cobrando de todos para cobrir a gastança.

Enquanto isso, outro grupo de teorizadores diz que, para que o mundo não caia sobre nossas cabeças, temos que praticar a taxa de juros mais elevada do mundo, pois esse é o remédio universal. Para mim, isso e tratamento numa clínica vodu são o mesmo.

A culpa é dos juros do Banco Central?

É uma abordagem estrutural, que existe praticamente desde a estabilização [em 1994]. A taxa de juros é um remédio muito sério, que deveria ser usado por um período intensivo e muito curto. Não por décadas seguidas. O resultado é que, de 1999 até hoje, a dívida pública está quase duas vezes superior ao que poderia estar se estivéssemos praticando uma taxa de juros neutra.

Isso sustenta um rentismo financeiro e faz com que a sociedade precise ser reeducada para o compromisso de trabalhar. Trabalho no Brasil é opção de último caso. As filas preferenciais são as do subsídio e as do privilégio.

Há risco de sairmos da recessão e ficarmos presos a uma estagnação?

Esse risco é visível a olho nu. O desafio é enorme. São dificuldades internacionais e domésticas. Portanto, minha torcida pela saída da recessão fica só no plano estatístico. Porque, se crescermos 1% em 2017, provavelmente teremos um ou dois trimestres positivos no fim do ano. Isso ensejará a saída estatística da recessão, mas não agradará, porque a resposta em termos de emprego e renda vai ser muito fraca.

Crescer 1% em 2017 é claramente insuficiente. Ficará para 2018 o hercúleo trabalho de, aí sim, demonstrar números mais parecidos com uma recuperação.

É pior que a década 1980?

Sem dúvida, porque ela é uma recessão autoinflingida. Na década de 1980, não tínhamos apenas um incômodo internacional. Hoje o vento não está mais hiperfavorável, mas não quer dizer que o cenário seja totalmente antagônico. Em 1980 era. Estávamos afundados em uma restrição absoluta, não tínhamos dólares e tínhamos que importar petróleo. Hoje estamos em uma crise de credibilidade em razão dos nossos desajustes.

Então não é certo que haverá uma recuperação cíclica?

Não, porque por enquanto nós ainda estamos encomendando a corda para nos enforcar. E uma parte do quiproquó político ajuda nisso.

A crise política continuará afetando a economia?

Muitíssimo. A pior coisa que poderíamos enfrentar hoje é um novo estado de desconfiança em relação à figura do presidente da República. Já foi muito ruim e triste que a presidente Dilma Rousseff tenha passado pelo que passou. Todos que temos consciência cívica lamentamos profundamente o limite a que seu governo chegou, de não conseguir nem organizar politicamente o país. De alguma forma, a organização do poder foi maltratada. Também hoje nós deveríamos evitar ao máximo contaminar a autoridade da Presidência com uma nova pauta de demolição nacional.

Por quê? Em prol da economia?

Em prol da retomada de uma ética do trabalho. Mesmo que a gente queira voltar a trabalhar, é preciso que nos organizemos. Chegará o momento, e deveria ser em 2017, em que teremos de começar a separar o pecado do pecador.

Como assim?

À medida que a lista de pecadores só faz aumentar, com as denúncias e as homologações [da Lava Jato], as repercussões que isso está tendo sobre as maiores empresas do país é absolutamente trágica. Precisamos articular meios que transcendam os acordos de leniência, de forma que as empresas possam ir pagando pelos seus pecados, deixando o rastro do castigo e das penas para as pessoas físicas, e liberá-las para pensar em novos investimentos.

Se o presidente for afastado, mergulharemos em uma nova fase de crise econômica?

Não precisamos desse cenário. Como colaborador do presidente, torço para que tudo se esclareça favoravelmente. Se nós temos senso no Brasil, que nós nos agarremos ao presidente e dele exijamos a ampliação da pauta de refundação da república. Não temos tempo a perder.

Em meio a essas dificuldades, é possível almejar uma reforma da Previdência?

Vai ser muito difícil passar qualquer coisa que não seja o reajuste das idades. E se for [aprovado]. Vamos ampliar a idade de acesso ao benefício, ajustar a equação previdenciária, mas isso não é repactuar a Previdência. O que seria o certo a fazer.

Mas está demorando demais. Anunciar que uma tal reforma vai mexer com os direitos e não esclarecer que os “aposentáveis” não sofrem perdas em decorrência disso é grave e traz sérias consequências para nós.

No IBGE, vamos perder mais de 300 funcionários no próximo ano, devido à aposentadoria. Eles estão virando 400 em razão do lero-lero de uma Previdência que vai machucar o interesse dos aposentados.

É uma dúvida que se instalou no coração das pessoas, porque ninguém sabe qual o teor da reforma. Até a minha secretária anunciou que vai se aposentar.

Quando o sr. fala em reorganizar a economia para sair da recessão, o que seria?

A simplificação tributária poderia ajudar a desatar o nó da estagnação. O outro ponto é a gestão pública, através da criação do conselho de gestão fiscal [foi aprovado no Senado, mas tramita na Câmara]. Ele funcionaria como um complemento da PEC 241, para fazer valer a regra fiscal.

Como assim?

No dia em que se atribuir o teto do gasto, toda a administração pública vai competir por gastar mais. Quais serão os critérios que vão balizar quem deve estar na frente da fila? Esse conselho estipularia os critérios de avaliação.

O Ministério do Planejamento está empenhado neste momento em construir critérios de eficiência e aplicá-los sobre determinados programas. É um excelente começo.

Estamos fazendo isso também aqui no IBGE: elaborando uma avaliação do valor social dos trabalhos do instituto.

Mudaria a forma como o IBGE recebe recursos do governo?

Ajudaria o IBGE a fazer uma reflexão do que realmente tem mais impacto para a sociedade. Muitas das pesquisas são ancoradas apenas na tradição de fazer porque se fazia no passado.

Vai filtrar as pesquisas?

Sim, de acordo com alguns critérios. Às vezes a relevância social não se traduz por critérios monetários. Como uma pesquisa sobre o estado das prisões, que nós queremos retomar. Uma de nossas prioridades será o tema da segurança pública.

O IBGE pode fazer uma grande contribuição nas informações dessa área, que até hoje incrivelmente não são padronizadas. É possível morrer de homicídio de forma diferente em São Paulo ou na Bahia.

Como quantificar o valor das pesquisas?

Estamos tentando medir de acordo com a repercussão que tem essa estatística no planejamento das políticas públicas e das atividades empresariais. Diariamente, cerca de 400 consultas são feitas ao site do IBGE para confirmar coordenadas geográficas. Quem usa isso? Todo o mundo que está construindo. Eles pagariam por essa informação.

O IBGE vai vender informação?

Qualquer produto do IBGE, por definição, é de livre acesso. O que é passível de cobrança é a reelaboração da estatística de forma a dar respostas específicas e intensivas para determinados usuários. Por exemplo, há dados sobre as cidades e um usuário gostaria de cruzar diferentes informações numa matriz. O IBGE não tem isso hoje. Talvez seja possível elaborar, mas isso custaria porque eu teria alguns técnicos que iriam parar para fazer isso.

Eventualmente é uma forma de desonerar a sociedade de pagar todo o custo do livre acesso e estabelecer uma discriminação entre usuários intensivos e eventuais.

Haveria pessoal no IBGE para isso?

Seria possível imaginar uma gratificação adicional para os funcionários. E, a partir desse adicional, poderíamos avançar em alta tecnologia, big data etc. Não podemos ficar dependentes de pedir 100% dos recursos para a “viúva”.

Quando o sr. assumiu o IBGE, funcionários alegaram conflito de interesses. Como resolveu?

Eu não posso resolver um conflito que não existe. Qualquer cidadão que queira contribuir para o serviço público tem que deixar a gestão direta de suas atividades privadas. Eu, como tinha várias “empresocas” constituídas, tive de me desvencilhar e entregar a administração.

E o acesso a dados que poderia lhe dar informação privilegiada?

Como consultor, nunca tive a curiosidade de saber este ou aquele dado de inflação mais recente. A menos que você esteja realizando operações financeiras… Mas eu nunca tive bancos como clientes. Assim que cheguei, me inclui na lista de restrições a todos que estão fora do IBGE [de saber dos dados duas horas antes da divulgação].

Conflito de Interesses pode ter dado causa à queda do avião com a equipe da Chapecoense!

quinta-feira, dezembro 1st, 2016

lamia

Ainda é cedo para se chegar a uma conclusão, mas já são muitas as evidências de que a causa do acidente teria sido falta de combustível. Afinal de contas não havia combustível algum junto aos destroços do terrível acidente.

O Piloto também era sócio proprietário da companhia Lamia Boliviana (já que existia uma Lamia Venezuelana). Ele vivia dois papéis, o de empresário que tem como foco o lucro e o de piloto responsável pela segurança de todos os passageiros, tripulação e a sua própria.

Então, o lado do lucro pode ter atrapalhado a sua conduta como piloto desde o plano de vôo até os momentos finais em que comunicava com a torre de controle do aeroporto em que pretendia pousar, lá na Colômbia.

O avião tinha pouca ou estreita autonomia para o plano de voo que foi feito, havendo pouca margem de manobra para tempo extra de voo, como vem sendo constatado no caso em questão.

Há indícios de que o piloto não comunicou com firmeza e com agilidade a sua situação crítica para a torre de controle. Talvez tivesse receio de, ao comunicar a emergência,  ser interpelado pelas autoridades sobre as causas da situação de emergência, que acabariam por expor a sua companhia a multas ou punições.

Uma tragédia para não ser esquecida, de maneira a evitar novos casos da espécie.