Archive for fevereiro, 2017

Brasil, o país dos rentistas!

sexta-feira, fevereiro 24th, 2017

O Ex Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira foi o entrevistado do programa Diálogos,  dia 23 de fevereiro de 2017, comandado pelo entrevistador Mário Sérgio Conti. O assunto obviamente era sobre a economia brasileira, em particular sobre a questão dos juros. Logo no início, Bresser foi convidado a opinar sobre um artigo polêmico, escrito recentemente no jornal Valor Econômico, pelo economista, não menos famoso, André Lara Rezende, um dos pais do Plano Real. Rezende, um economista ortodoxo, de forma surpreendente, escreveu que os juros estavam altos de mais há muito tempo, impedindo a economia de crescer e, o pior, sendo causa da inflação.

Bresser discordou da tese de Rezende de que os juros causavam a inflação. Entretanto, a partir daí,  esclareceu  que  via  um  sério  problema  na  economia brasileira,  que  desde 1980, teve o PIB per capita crescendo em média apenas um por cento ao ano, enquanto China, Coréia do Sul e Tailândia, cresceram muito mais, sendo que os dois primeiros cresceram em média  8,5% e  5,5%.  Em outros termos, a China teve o seu PIB per capita crescendo 17 vezes, a Coréia do Sul, 6,3 e a Tailândia, 4. O Brasil teve o seu PIB per capita multiplicado por apenas 1,4 vezes.

E lançou a pergunta: Por que o Brasil está semi estagnado?

E começou a explicar. Quando um país cresce tão pouco o motivo fundamental tem que ser explicado pelo INVESTIMENTO. O entrevistador interrompeu e afirmou que o país cresceu um pouco no governo Lula, no que o entrevistado disse que foi um crescimento mínimo e temporário devido ao boom das commodities. A taxa de investimento é baixa, cerca de 17% do PIB, porque o cidadão e o estado não conseguem poupar. O estado gasta muito com a máquina e o cidadão gasta com o consumo. Isto explica o baixo investimento. O entrevistador interveio alegando que o brasileiro era tão desprovido de tudo, que merecia consumir algumas coisinhas. Bresser ficou calado, mas confirmou que isso implicava em baixa poupança e, por conseguinte, baixo investimento e semi estagnação. Bresser disse que mesmo na França há pobreza, mas é preciso conter o consumo para que haja poupança e investimento.

Some-se a isso, informou Bresser, que a taxa de câmbio brasileira apreciada atrapalha muito os empresários brasileiros. Pior, o empresário do setor primário precisa de uma taxa de câmbio menor enquanto o empresário da indústria, que utiliza tecnologia de ponta, precisaria de uma taxa de cambio maior para se equilibrar. Na opinião de Bresser, o empresário do setor primário (agropecuária e extrativismo) precisa de uma taxa de câmbio de apenas 3,30 reais e o industrial de uma taxa de câmbio de 4,00 reais.

O modelo atual, que já vem de longa data, faz com que apenas os RENTISTAS ganhem sempre. Os empresários não ganham, exceto os empresários ligados a commodities. Em suma, o modelo atual privilegia o agronegócio, o que não supre a necessidade de crescimento e emprego da economia. Segundo Bresser, é preciso mudar a política, apreciar o câmbio e incentivar a indústria. Com o tempo, será possível reduzir o juros de forma sustentável.

Bresser cita que o Brasil cresceu muito na era Vargas e na era Juscelino, por meio de programas intensivos de industrialização. Os técnicos da época estavam sempre ajustando o câmbio de maneira a garantir esse crescimento do país.

O entrevistador questionou a opinião de Bresser sobre o modelo econômico conduzido pelo governo Temer e, apesar de algumas ponderações, em especial sobre a PEC do teto, o entrevistado  disse que Meireles estava no rumo certo.

Bresser afirmou que o sistema tributário brasileiro é muito ruim e regressivo: os pobres pagam mais impostos proporcionalmente que os ricos. E, claro, isso contribui para aumentar a desigualdade e, de novo, o desenvolvimento econômico.

O entrevistado disse que essa profissão de economista no Brasil tomou um rumo estranho, porque muitos economistas defendem mesmo é o interesse de grupos econômicos, notadamente de banqueiros. Isso justifica, em parte, os juros tão elevados durante tanto tempo.

 

 

 

 

 

Precificando o crédito via CDC nas Cooperativas de Crédito

segunda-feira, fevereiro 20th, 2017

precifica

Vamos considerar que as cooperativas não pagam impostos sobre a receita líquida da intermediação (os bancos pagam cerca de 4 ,5% a título de cofins) e também não pagam os 40% sobre o lucro gerado pela operação de crédito, ou seja irpj/cs.

Os nossos inputs ou argumentos serão:

cap ——————–>Taxa de Captação em termos de taxa mensal;

inad ——————->Taxa de Inadimplência da carteira

s————————>Spread mensal final desejado pela cooperativa

R ———————-> Prestação Mensal do modelo de anuidade simples

P ———————–>Valor do empréstimo

r———————–> Taxa mensal de juros ao cliente

n———————–> Prazo, em meses

 

O primeiro passo é encontrar a prestação de um empréstimo hipotético no valor de mil reais, pela fórmula abaixo:

 

formula

De posse do R calculado, encontramos a taxa de juros ao cliente (r) por meio do modelo básico de anuidade, via HP 12 cv, considerando o P, o R, o n e encontrando a taxa r mensal.

Vamos a um exemplo:

capta = 120% da taxa cdi = 1,23% ao mês (Esse é o custo médio que ela teria se precisasse captar rapidamente junto ao seu Banco Cooperativo. Isso é mais prudente do que considerar o custo de captação da cooperativa junto aos associados).

s (spread mensal desejado pela cooperativa) = 1,024% ao mês. Isto é equivalente  à taxa anual do CDI, 13% ao ano.

inad de 5% para as operações com cdc, com prazo médio de 48 meses.

Prazo de 48 meses.

Resolvendo a equação acima, encontramos a prestação R de 36,08.

Agora, resolvemos o problema básico de anuidade com R=36,08, P=1.000 e n=48

Na HP 12, limpamos os registros, f reg, f fin e em seguida teclamos:

48            n

-36,08    pmt

1.000      P

i —> produz a taxa desejada a ser cobrada do cliente. i = 2,51%

Encontramos a taxa de 2,51% ao mês. Esta taxa, deduzida do custo de  captação e da inadimplência, produzirá um spread líquido de 1,024% ao mês para a cooperativa. Se fosse um banco comercial, sobre o qual incidem os impostos citados na introdução, esta taxa teria que ser 3,25% ao mês para poder obter o mesmo spread líquido. Agora, se a cooperativa é muito líquida e resolve adotar como custo de oportunidade 100% da taxa CDI, a taxa ao cliente para a operação de 48 meses poderia ser 2,29% ao mês.

Note também que a inadimplência colocada é uma inadimplência média da carteira e a taxa precificada deve ser utilizada para todo e qualquer cliente.

Se a taxa de inadimplência (e tudo mais constante) fosse de 10%, a taxa a ser cobrada do cliente seria de 2,79% ao mês. Mas se a taxa de inadimplência fosse de apenas 1% (como numa carteira de consignado), a taxa ao cliente seria de 2,29% ao mês. E, se simultaneamente tivéssemos taxa de inadimplência de 1% e custo de oportunidade igual a 100% da taxa CDI, a taxa ao cliente seria 2,08% ao mês.

Até aqui demos exemplos em que a cooperativa almeja um spread líquido de 1% ao mês ou mais de 12% ao ano. A cooperativa poderia ser muito mais competitiva se pudesse diminuir o spread esperado, como no exemplo seguinte.

Se pudéssemos trabalhar com uma  taxa de inadimplência de 1%, custo de captação de 100% da taxa CDI e meta de spread de 0,5% ao mês (6,15% ao ano), a cooperativa poderia operar com uma taxa de 1,58% ao mês. Esta cooperativa seria extremamente competitiva.

Neste modelo há um viés que necessita de atenção. Se aumentarmos o prazo de 48 para 60 meses, mantendo o resto constante, a taxa ao cliente reduz. Isto porque o método espera receber mais juros líquidos pós inadimplência. Uma forma de contornar o viés é estipular uma taxa de inadimplência esperada maior para prazos maiores. No presente caso, se a inad para 48 meses foi de 5%, há que se esperar inad maior para o prazo de 60 meses. A forma mais imediata é linearizar a inad em função do prazo ou estimar as inadimplências em função dos prazos das operações com base em dados históricos.

 

 

 

Estatística de acesso ao BLOG

quarta-feira, fevereiro 8th, 2017

Compartilho as estatísticas do BLOG desde a sua criação em agosto/16. Já são 17.627 visitas e 7.653 visitantes únicos!

 estatistica

 

 


 

 

O meu novo brinquedinho!

terça-feira, fevereiro 7th, 2017

Prezados leitores,

estou navegando pelos mares da otimização novamente! Digo novamente, porque em 1988 trabalhei pela primeira vez com este tema na UFRJ/COPPE e daí nasceu uma paixão da qual ainda não me livrei. Devo publicar aqui no blog uma série de artigos sobre algoritmos heurísticos aplicados a finanças, a minha atual área de pesquisa. Os algoritmos heurísticos servem-se de muita criatividade para resolverem problemas complexos que não podem ser revolvidos (em tempo hábil) computacionalmente. Se as soluções dos algoritmos heurísticos não são exatas, é preciso estabelecer tetos para os erros produzidos pela aplicação deles. O caso modal de problema de otimização, no campo de finanças, resolvido por heurísticas, é o problema de Otimização de Portifólio. Este problema foi introduzido originalmente por Markowitz, em 1950, mas numa forma mais simples e mais teórica. Quando se adiciona a este problema de Markowitz restrições da prática (número limitado de ativos, upper e lower bounds sobre os ativos e custos fixos e variáveis de aquisição de ativos) o problema fica muito complexo e não pode ser resolvido pelo método quadrático publicado por Markowitz naquela época. Então, recorre-se a uma série de heurísticas. As heurísticas que tem “bombado” ultimamente são aquelas ditas evolucionárias, porque imitam o comportamento de bactérias no corpo humano, formigas no formigueiro e dos genes ao longo da evolução das espécies.

Para entender um pouco sobre este assunto, o leitor leigo pode acessar algumas aulas do Professor Evaristo Chalbaud Biscaia Jr, da UFRJ/COPPE, disponíveis no link a seguir:

http://www2.peq.coppe.ufrj.br/Pessoal/Professores/Evaristo