Archive for maio, 2017

Uma sugestão para o Banco Central: implantar rotina de Clean Up no Crédito Rural

segunda-feira, maio 29th, 2017

A expressão Clean Up, segundo o dicionário de Inglês Merriam-Webster, significa:

 Limpar e Organizar

No jargão bancário, fazer ou exigir um clean up nas operações de crédito de um determinado cliente/tomador de crédito, significa solicitar que ele amortize parte de suas dívidas e/ou reescalone os pagamentos no tempo.

Você deve estar acompanhando nos jornais ou na TV a questão do rotativo do cartão de crédito. Uma nova regra surgiu para impedir que este tipo de dívida vire uma bola de neve. Ou seja, não mais será possível que o portador do cartão de crédito fique pagando mensalmente apenas o valor mínimo exigido e o saldo devedor remanescente seja corrigido por taxas espantosas!

Ora, a história mostra que no crédito rural existe fenômeno semelhante, não com taxas espantosas como no rotativo de cartão de crédito, mas com tempos de rolagem espantosos e que podem acabar em grandes prejuízos que acabam no colo do Tesouro Nacional e, portanto, nas costas do contribuinte brasileiro.

Então, a nova norma para rotativo do cartão de crédito é, nada mais nada menos, do que um clean up nas dívidas do portador de cartão. Depois de rolada por 30 dias, ela será dividida em parcelas para facilitar o pagamento e evitar a tal bola de neve!

Por que não fazer o mesmo no crédito rural? Por que não fazer isso em decorrência das auditorias do Banco Central, por amostragem?

Entendeu?

Eu explico melhor. Suponha que a fiscalização do Bacen chegue numa agência bancária ou cooperativa de crédito e lá perceba uma grande quantidade de tomadores que operam continuamente por mais de cinco anos, safra após safra, ano após ano. Os auditores do Bacen, então, irão selecionar uma amostra desses tomadores de crédito rural para clean up.

Selecionada a amostra de tomadores, a Instituição Financeira (IF) enviará uma carta aos tomadores constantes da amostra informando que eles estão escalados para fazer um clean up em suas dívidas, por medida regulamentar e para a segurança do sistema financeiro.

Tais tomadores receberão um plano individual de amortização da dívida de acordo com a sua condição econômico-financeira e por um período, definido pelo Banco e pela Instituição Financeira, nenhum crédito novo será liberado ao tomador. Dependendo do tomador e de sua condição financeira, este período de carência poderá variar de seis meses a cinco anos. Claro que, em situações extremas,  o tomador jamais terá um crédito novo.

O resultado deste clean up (pagamentos de juros, amortizações ao longo do período de clean up) será monitorado pela instituição financeira e pela própria auditoria do Banco Central. De acordo com o desempenho parcial do tomador, a auditoria do Bacen poderá liberar o tomador da condição de clean up e ele poderá a voltar a tomar crédito normalmente.

Três resultados são esperados deste processo:

Caso 1 : Tomador com Capacidade Normal de Pagamento e Produtivo

Entre seis meses e cinco anos, o tomador será retirado da condição de observação e poderá receber novos créditos.

Caso 2: Tomador sem Capacidade de Pagamento no curto prazo, mas produtivo e recuperável

Um novo plano de amortização das dívidas será estabelecido para esse tomador, que ficará sem novos créditos por um certo período (estipulado pelo Bacen em comum acordo com a IF), de forma a ajustar o fluxo de pagamentos à sua real capacidade financeira.

Caso 3: Tomador sem Futuro

Será estabelecida um novo cronograma de pagamentos, a interrupção dos novos créditos e/ou o ajuizamento imediato das dívidas para evitar a tal bola de neve.

Note que além de resolver especificamente a situação dos tomadores da amostra, tanto a IF quanto o Bacen terão uma boa estatística da carteira da agência, no que tange à expectativa de recebimento das mesmas.

 

O modelo tupiniquim de negócios: lucros fáceis no curto prazo, quase sempre ancorados no governo, e uma bomba relógio para o contribuinte!

domingo, maio 28th, 2017

O modelo tupiniquim de negócios parece ser um samba de uma nota só! Ancoram-se os negócios o máximo possível em verbas, subsídios governamentais e isenções fiscais e lucra-se no curto prazo. No médio e longo prazos estoura uma bomba na cabeça do contribuinte! Foi assim no Banco do Brasil, foi assim na Petrobrás, foi assim no grupo X do Sr. Eike Batista e parece que será assim com  o BNDES e com os grupos empresariais envolvidos na operação Lava-Jato.

Nem pense que a coisa  deva ser assim mesmo! Isto é o que nos deixa subdesenvolvidos, deitados eternamente em berço esplêndido, que nos faz um país desigual,  com uma economia que faz apenas voos de galinha, de curtíssimo alcance.

Precisamos mudar!

Tenho sempre apontado as facilidades que os sistemas cooperativos de crédito têm junto ao governo central, seja na forma de verbas subsidiadas (que em muitos casos nada fomentam mas apenas arbitram a taxa de juros Selic), isenções fiscais que deveriam permitir o alargamento do quadro de associados e o aumento da carteira de crédito,  objetivos que não vem se concretizando no ritmo possível e esperado.

Por outro lado, temo que uma bomba relógio comece a ser armada no momento em que se deixa de investir em questões essenciais  para aumentar o lucro no curto prazo, priorizando a política e não a sustentabilidade econômica. A falta de investimentos em tecnologia, em processos padronizados, em otimização da estrutura organizacional das entidades de segundo e terceiro graus dos sistemas cooperativistas de crédito e, também, a não contratação de profissionais especializados para garantir uma adequada gestão dos riscos,   cria,  no curto prazo, uma falsa sensação de bem estar, de crescimento fácil.

É como acreditar que nessas terras tudo que se planta dá, sem qualquer esforço.  O que mais se colheu por aqui,  desde Pero Vaz de Caminha, foi mesmo a corrupção, esta sim muito bem plantada por várias gerações de portugueses e brasileiros e que nos legou esta cultura do jeitinho.

O brasileiro pobre e o remediado esperam uma verdadeira inclusão financeira, que as cooperativas poderiam lhes fornecer, mas os sistemas cooperativos acomodam-se com os subsídios e facilidades governamentais, não investem e a carteira de crédito do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo não passa dos 2,6% da carteira do Sistema Financeiro Nacional. Tem-se privilegiado o rentismo dos cooperados ricos, imitando a banca tradicional, tão criticada pelo cooperativismo em seus discursos e propagandas.

No que tange aos investimentos mínimos necessários, a sociedade correrá risco se houver crescimento sem uma infraestrutura adequada, notadamente no que diz respeito aos sistemas e métodos padronizados para a gestão dos riscos e, preferencialmente, com visão integral.  Nesse sentido, a sociedade só pode mesmo contar é com a técnica e a diligência dos qualificados funcionários do Banco Central para protegê-la por meio de suas auditorias e recomendações para aprimoramento dos Sistemas Cooperativistas.

Chega de bombas relógio!