Precificando o crédito via CDC nas Cooperativas de Crédito

precifica

Vamos considerar que as cooperativas não pagam impostos sobre a receita líquida da intermediação (os bancos pagam cerca de 4 ,5% a título de cofins) e também não pagam os 40% sobre o lucro gerado pela operação de crédito, ou seja irpj/cs.

Os nossos inputs ou argumentos serão:

cap ——————–>Taxa de Captação em termos de taxa mensal;

inad ——————->Taxa de Inadimplência da carteira

s————————>Spread mensal final desejado pela cooperativa

R ———————-> Prestação Mensal do modelo de anuidade simples

P ———————–>Valor do empréstimo

r———————–> Taxa mensal de juros ao cliente

n———————–> Prazo, em meses

 

O primeiro passo é encontrar a prestação de um empréstimo hipotético no valor de mil reais, pela fórmula abaixo:

 

formula

De posse do R calculado, encontramos a taxa de juros ao cliente (r) por meio do modelo básico de anuidade, via HP 12 cv, considerando o P, o R, o n e encontrando a taxa r mensal.

Vamos a um exemplo:

capta = 120% da taxa cdi = 1,23% ao mês (Esse é o custo médio que ela teria se precisasse captar rapidamente junto ao seu Banco Cooperativo. Isso é mais prudente do que considerar o custo de captação da cooperativa junto aos associados).

s (spread mensal desejado pela cooperativa) = 1,024% ao mês. Isto é equivalente  à taxa anual do CDI, 13% ao ano.

inad de 5% para as operações com cdc, com prazo médio de 48 meses.

Prazo de 48 meses.

Resolvendo a equação acima, encontramos a prestação R de 36,08.

Agora, resolvemos o problema básico de anuidade com R=36,08, P=1.000 e n=48

Na HP 12, limpamos os registros, f reg, f fin e em seguida teclamos:

48            n

-36,08    pmt

1.000      P

i —> produz a taxa desejada a ser cobrada do cliente. i = 2,51%

Encontramos a taxa de 2,51% ao mês. Esta taxa, deduzida do custo de  captação e da inadimplência, produzirá um spread líquido de 1,024% ao mês para a cooperativa. Se fosse um banco comercial, sobre o qual incidem os impostos citados na introdução, esta taxa teria que ser 3,25% ao mês para poder obter o mesmo spread líquido. Agora, se a cooperativa é muito líquida e resolve adotar como custo de oportunidade 100% da taxa CDI, a taxa ao cliente para a operação de 48 meses poderia ser 2,29% ao mês.

Note também que a inadimplência colocada é uma inadimplência média da carteira e a taxa precificada deve ser utilizada para todo e qualquer cliente.

Se a taxa de inadimplência (e tudo mais constante) fosse de 10%, a taxa a ser cobrada do cliente seria de 2,79% ao mês. Mas se a taxa de inadimplência fosse de apenas 1% (como numa carteira de consignado), a taxa ao cliente seria de 2,29% ao mês. E, se simultaneamente tivéssemos taxa de inadimplência de 1% e custo de oportunidade igual a 100% da taxa CDI, a taxa ao cliente seria 2,08% ao mês.

Até aqui demos exemplos em que a cooperativa almeja um spread líquido de 1% ao mês ou mais de 12% ao ano. A cooperativa poderia ser muito mais competitiva se pudesse diminuir o spread esperado, como no exemplo seguinte.

Se pudéssemos trabalhar com uma  taxa de inadimplência de 1%, custo de captação de 100% da taxa CDI e meta de spread de 0,5% ao mês (6,15% ao ano), a cooperativa poderia operar com uma taxa de 1,58% ao mês. Esta cooperativa seria extremamente competitiva.

Neste modelo há um viés que necessita de atenção. Se aumentarmos o prazo de 48 para 60 meses, mantendo o resto constante, a taxa ao cliente reduz. Isto porque o método espera receber mais juros líquidos pós inadimplência. Uma forma de contornar o viés é estipular uma taxa de inadimplência esperada maior para prazos maiores. No presente caso, se a inad para 48 meses foi de 5%, há que se esperar inad maior para o prazo de 60 meses. A forma mais imediata é linearizar a inad em função do prazo ou estimar as inadimplências em função dos prazos das operações com base em dados históricos.

 

 

 

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