Brasil, o país dos rentistas!

O Ex Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira foi o entrevistado do programa Diálogos,  dia 23 de fevereiro de 2017, comandado pelo entrevistador Mário Sérgio Conti. O assunto obviamente era sobre a economia brasileira, em particular sobre a questão dos juros. Logo no início, Bresser foi convidado a opinar sobre um artigo polêmico, escrito recentemente no jornal Valor Econômico, pelo economista, não menos famoso, André Lara Rezende, um dos pais do Plano Real. Rezende, um economista ortodoxo, de forma surpreendente, escreveu que os juros estavam altos de mais há muito tempo, impedindo a economia de crescer e, o pior, sendo causa da inflação.

Bresser discordou da tese de Rezende de que os juros causavam a inflação. Entretanto, a partir daí,  esclareceu  que  via  um  sério  problema  na  economia brasileira,  que  desde 1980, teve o PIB per capita crescendo em média apenas um por cento ao ano, enquanto China, Coréia do Sul e Tailândia, cresceram muito mais, sendo que os dois primeiros cresceram em média  8,5% e  5,5%.  Em outros termos, a China teve o seu PIB per capita crescendo 17 vezes, a Coréia do Sul, 6,3 e a Tailândia, 4. O Brasil teve o seu PIB per capita multiplicado por apenas 1,4 vezes.

E lançou a pergunta: Por que o Brasil está semi estagnado?

E começou a explicar. Quando um país cresce tão pouco o motivo fundamental tem que ser explicado pelo INVESTIMENTO. O entrevistador interrompeu e afirmou que o país cresceu um pouco no governo Lula, no que o entrevistado disse que foi um crescimento mínimo e temporário devido ao boom das commodities. A taxa de investimento é baixa, cerca de 17% do PIB, porque o cidadão e o estado não conseguem poupar. O estado gasta muito com a máquina e o cidadão gasta com o consumo. Isto explica o baixo investimento. O entrevistador interveio alegando que o brasileiro era tão desprovido de tudo, que merecia consumir algumas coisinhas. Bresser ficou calado, mas confirmou que isso implicava em baixa poupança e, por conseguinte, baixo investimento e semi estagnação. Bresser disse que mesmo na França há pobreza, mas é preciso conter o consumo para que haja poupança e investimento.

Some-se a isso, informou Bresser, que a taxa de câmbio brasileira apreciada atrapalha muito os empresários brasileiros. Pior, o empresário do setor primário precisa de uma taxa de câmbio menor enquanto o empresário da indústria, que utiliza tecnologia de ponta, precisaria de uma taxa de cambio maior para se equilibrar. Na opinião de Bresser, o empresário do setor primário (agropecuária e extrativismo) precisa de uma taxa de câmbio de apenas 3,30 reais e o industrial de uma taxa de câmbio de 4,00 reais.

O modelo atual, que já vem de longa data, faz com que apenas os RENTISTAS ganhem sempre. Os empresários não ganham, exceto os empresários ligados a commodities. Em suma, o modelo atual privilegia o agronegócio, o que não supre a necessidade de crescimento e emprego da economia. Segundo Bresser, é preciso mudar a política, apreciar o câmbio e incentivar a indústria. Com o tempo, será possível reduzir o juros de forma sustentável.

Bresser cita que o Brasil cresceu muito na era Vargas e na era Juscelino, por meio de programas intensivos de industrialização. Os técnicos da época estavam sempre ajustando o câmbio de maneira a garantir esse crescimento do país.

O entrevistador questionou a opinião de Bresser sobre o modelo econômico conduzido pelo governo Temer e, apesar de algumas ponderações, em especial sobre a PEC do teto, o entrevistado  disse que Meireles estava no rumo certo.

Bresser afirmou que o sistema tributário brasileiro é muito ruim e regressivo: os pobres pagam mais impostos proporcionalmente que os ricos. E, claro, isso contribui para aumentar a desigualdade e, de novo, o desenvolvimento econômico.

O entrevistado disse que essa profissão de economista no Brasil tomou um rumo estranho, porque muitos economistas defendem mesmo é o interesse de grupos econômicos, notadamente de banqueiros. Isso justifica, em parte, os juros tão elevados durante tanto tempo.

 

 

 

 

 

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